Quem não viu, ainda está em tempo. A exposição fotográfica “O Muro” está aberta à visitação até o próximo domingo (20), no Centro de Informação ao Visitante do Circuito Cultural Praça da Liberdade (Praça da Liberdade, s/n, Prédio Verde – Esquina com Rua Gonçalves Dias), com entrada gratuita.

A instalação traz 80 fotos feitas por crianças e adolescentes, entre 12 e 16 anos, da Favela do Jacarezinho, no Rio de Janeiro. Elas receberam treinamento e fizeram exercícios antes de sair para colher os registros. As fotografias foram tiradas de forma livre, sem a intervenção de orientadores.

Para ver as imagens, é preciso colocar o olho bem próximo ao muro, onde estão desenhados olhos. “A ideia é criar proximidade entre o expectador e a obra. É um contato “olho no olho” que, por um instante, faz com que a pessoa veja através do olhar dessas crianças”, explica idealizador do projeto, o escultor e arte-educador Helio Rodrigues.

Quebrando o preconceito

“Discutimos a questão da estética com essas crianças. A proposta era mostrar que existem coisas belas além daquelas que são bem comuns, como uma flor, uma praia ou pássaro. Queríamos abrir os olhos delas para o que há de bom na comunidade em que vivem e conseguimos um bom resultado”, avalia Helio Rodrigues.

O educador conta que as crianças tinham vergonha do lugar em que vivem e sempre descreviam com desprezo os pontos ruins do local. “Eles só falavam no lixo, no esgoto, nas paredes sem pintura e no tráfico de drogas na região, já que, até então, a favela ainda não tinha uma Unidade Pacificadora de Polícia (UPP). Nossa proposta era justamente mudar esse olhar”, lembra.

Rodrigues destaca que o nome “O Muro”, dado a exposição, tem um significado social. “O povo da favela vê uma “barreira” entre quem vive no “asfalto”, os bairros de classe média da cidade, e quem vive nas comunidades. Logo, de forma equivocada, eles dão mais valor àquilo que está fora da realidade deles. Ver essas fotografias pelo muro é um exercício que ajuda a quebrar essa separação”.

Confira o vídeo:
 


Trabalho remunerado

“Vocês estão aqui porque têm pena da gente?”. Essa é a pergunta mais comum ouvida pelos orientadores que trabalham no Jacarezinho. De acordo com Helio Rodrigues, as crianças se sentem diminuídas quando chega algum grupo filantrópico para fazer alguma ação na comunidade.  “Eles ficam bem mais a vontade quando tomam consciência de que nós somos empregados, que temos salário, horário e metas a cumprir e que precisamos prestar conta”.

O trabalho feito na comunidade é patrocinado pelo Laboratório Farmoquímica (FQM) e tem apoio do Ministério da Cultura através da Lei Estadual de Incentivo à Cultura do Rio de Janeiro.

A montagem

O trabalho fotográfico começou em 2012, dentro do projeto “Eu Sou”, que há quase dez anos desenvolve um trabalho utilizando as artes plásticas para a reconstrução da identidade de jovens que moram em favelas do Rio. Quando ficou pronta, a exposição foi instalada na cidade para ser contemplada.

Depois de Belo Horizonte, a exposição vai para Curitiba, Salvador e São Paulo. Há também um projeto para que a instalação seja levada para outras cidades do país e do exterior.

Workshop na Praça

Quem quiser conhecer um pouco mais sobre o projeto poderá participar do workshop gratuito “Sob o Olhar Extraordinário”, ministrado por Helio Rodrigues, no sábado, dia 19, das 16h às 18h. Os participantes serão convidados a fazer a suas próprias criações fotográficas, com base na experiência das crianças do Jacarezinho.

O trabalho será feito no Centro de Informação ao Visitante do Circuito Cultural Praça da Liberdade. São 30 vagas. Inscrições pelo site http://circuitoculturalliberdade.com.br/plus/