No processo de construção do álbum "C_mpl_te", os integrantes do Móveis Coloniais de Acaju chegavam a levar até um ano para terminar uma música. Havia uma preocupação intensa com os riffs e com cada detalhe sonoro. No caso do álbum que a banda brasiliense acaba de lançar, "De Lá Até Aqui" (distribuição da Som Livre), a intenção foi oposta: a busca pela simplicidade e pela objetividade. A produção de Carlos Eduardo Miranda certamente contribui para isso.

"Ganhamos maturidade ao compor em grupo", afirma o vocalista André Gonzáles. "No primeiro álbum, mostramos as nossas referências de rock, ska e Leste Europeu, enquanto no 'C_ompl_te' tentamos buscar uma identidade, um som mais conciso, abandonando as referências. Já nesse terceiro CD, assumimos um processo coletivo de forma mais ampla e livre, trabalhando muito a nossa relação com Brasília". Não estranhe se encontrar referências a bandas dos anos 80 e 90 em algumas das 13 faixas. As influências do grunge e da soul music também estão mais claras, garante o vocalista.

O Móveis continua dançante e para cima, como sempre foi em seus 15 anos de estrada, mas, dessa vez, se permite ser mais romântico, trafegar por outras alternativas da música pop. "O romantismo já estava presente em nosso segundo disco, mas havia uma relação distante entre letra e música. Dessa vez, procuramos entender os espaços, o lugar de cada músico, de cada instrumento e a relação disso com a letra e a temática", conta Gonzáles, acrescentando que "De Lá Até Aqui" é também o álbum em que estão mais evidentes as influências do rock.

Cenografia

Dessa vez, o grupo também se preocupou mais com a cenografia. Para o show de lançamento do CD, no Auditório Ibirapuera, em São Paulo, criaram efeitos especiais com sombras, aproveitando que o fundo do palco pode ser aberto ao parque. "Quisemos coisas diferentes, para pensar o show como um espetáculo. Fizemos três ensaios abertos para testar as músicas antes do lançamento", afirma Gonzáles.


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