SÃO PAULO – As convergências entre as artes, a multidisciplinaridade e o uso da tecnologia moderna na produção cultural exigem editais menos burocráticos dos programas de financiamento da cultura. Artes visuais interagem com cinema, pesquisas unem memória e invenção, a música é difundida pela web. Nem sempre é possível, para o produtor ou artista, encaixar o seu projeto nas opções existentes de incentivo financeiro.

Ao completar 16 anos, o Rumos Itaú Cultural muda o formato para contemplar a nova realidade do mundo artístico/cultural. A partir de hoje e até o dia 14 de novembro, estão abertas as inscrições. O resultado sai em maio de 2014. O proponente do projeto tem a liberdade de criar a própria modalidade, caso a sua ideia não se encaixe numa das 11 propostas enumeradas no site rumositaucultural.org.br, onde são aceitas as inscrições.

O Itaú Cultural vai investir R$ 10,5 milhões nos projetos culturais aprovados, no próximo ano. De acordo com o diretor da entidade, Eduardo Saron, não há interesse por obras de artistas consagrados, por isso o limite individual não ultrapassa R$ 400 mil.

“Em tese o campo da arte não tem fronteira. A ideia é romper a relação formal e conceder autonomia ao artista”, diz Valmir Santos, mestre em artes cênicas e pesquisador teatral, membro da comissão julgadora. Até mesmo técnicos e cientistas podem se inscrever, lembrou o gerente do núcleo de Audiovisual e Literatura, Claudiney Ferreira.

Números

Desde a criação, há 16 anos, o Itaú Cultural recebeu mais de 25 mil inscrições e contemplou 1.130 projetos. As obras selecionadas alcançaram um público de 6 milhões de pessoas, de acordo com os diretores da entidade. Foram realizadas 856 exposições e 72 mostras em 18 cidades e sete países, e lançados 707 produtos.

O projeto “Ocupação” da entidade realizou exposições contando histórias de nomes como Paulo Leminski, Chico Science, Haroldo de Campos, Nelson Rodrigues, entre outros. Dos R$ 70 milhões totais aplicados na cultura neste ano pelo Itaú Cultural, cerca de R$ 16 milhões foram contemplados pela Lei Rouanet, mas os projetos a serem inscritos no Rumos não precisam passar por aprovação da lei de incentivo federal. Pela concepção inventiva das propostas, as formas de apresentação ao público serão igualmente discutidas entre os próprios atores culturais.

“As formas tradicionais de arte também são bem-vindas. O que queremos é facilitar as expressões criativas que tinham dificuldade de buscar os recursos”, acrescenta Saron.