Com os 195 milhões de hits alcançados até o fechamento desta reportagem, a nova música "Gentleman", do coreano Psy, deve chegar à primeira colocação da Billboard esta semana. Isto acontecerá porque, em março, a influente parada incluiu toques do YouTube entre os quesitos que julgam o sucesso de uma faixa. Sucedeu que "Harlem Shake", uma canção obscura de música eletrônica, cuja dança tornou-se viral ao ser reinterpretada por milhares de internautas, saltou à primeira posição na semana seguinte. Assim como "Gentleman" e "Gangnam Style", cantadas em coreano, a força de "Harlem Shake" não vem inteiramente de seu conteúdo musical.

A faixa é feita de uma batida de hip hop com poucas palavras além de alguns samples. Não há refrões açucarados ou melodias que custam a largar os ouvidos. Da mesma forma, a batida sintética e o refrão de Gentleman fazem pouca diferença na quantização do novo sucesso de Psy. O movimento dos ombros coreanos garantirá sua permanência nas paradas. Isto implica em uma série de novos fatores para a popularidade de uma canção, em 2013, entre eles o fato de que o YouTube, em tese um site que também funciona como um termômetro, é fortemente suscetível a estratégias de marketing.

Vide o caso do "Harlem Shake", a dança ondulante, inventada pelo dono de um popular canal de comédia do YouTube, e copiada ad infinitum pelos quatro cantos do mundo. No início de fevereiro, o vídeo teve uma resposta positiva, com algumas cópias e milhares de hits. "Harlem Shake", no entanto, tornou-se viral no dia que a empresa americana Maker Studios, especializada em faturar com canais do YouTube, notou a popularidade da faixa e, de acordo com uma matéria do site Quartz, postou um vídeo com funcionários dançando ao som da faixa.