Brasil retrocede no combate à corrupção

Tiago Mitraud / 28/01/2022 - 13h14

A Transparência Internacional publicou essa semana os resultados de 2021 de seu Índice de Percepção da Corrupção (IPC), também conhecido como ranking da corrupção. Criado em 1995, o índice avalia a percepção de especialistas sobre a corrupção em diversos países a partir de uma série de perguntas sobre o quadro político em cada país.

Com 38 pontos numa escala de 0 a 100 pontos, o Brasil perdeu duas posições em relação a 2020 e ocupa agora a 96ª colocação entre 180 países. Nosso desempenho é pior do que a média global (43 pontos) e pior também do que a média dos países da América Latina e Caribe (41 pontos).

Segundo a Transparência, o Brasil encontra-se estagnado em um patamar muito ruim. E a culpa é dos três Poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário, que seguem produzindo “retrocessos em leis e instituições que atuam no enfrentamento da corrupção".

O relatório da Transparência aponta que, apesar de ter sido eleito com uma bandeira de combate à corrupção, o governo Bolsonaro não apresentou avanços nesta agenda. Pelo contrário. Além de cada vez mais entregue ao Centrão e seus interesses fisiológicos, a CPI da Covid revelou denúncias sérias de corrupção no governo que, até agora, não receberam a devida atenção do Executivo.

O Congresso, por sua vez, contribuiu para a deterioração do quadro ao criar e institucionalizar o Orçamento Secreto, sancionado sem vetos por Bolsonaro, que compromete a transparência na destinação de recursos públicos e no próprio funcionamento do Poder Legislativo e da nossa democracia. O NOVO lutou de todas as formas para barrar a institucionalização do instrumento, no Congresso e no STF, mas acabamos derrotados.

Mas, se o quadro atual incomoda, o futuro preocupa ainda mais. Afinal, por mais incrível que possa parecer, a corrida presidencial é liderada, até agora com folga, por um dos maiores símbolos da roubalheira no Brasil. Além de enfraquecer o combate à corrupção, o fracasso do governo Bolsonaro ainda fez ressurgir Lula, cujo governo protagonizou um dos maiores esquemas de desvio de dinheiro público do mundo.

O compromisso ético e a priorização do combate à corrupção deveriam ser um critério eliminatório para a escolha de um candidato em uma sociedade realmente comprometida com a prosperidade do país. Esta é, e sempre foi, uma das principais bandeiras do NOVO, do pré-candidato Felipe D'Ávila. Precisamos recuperar este compromisso, e as eleições de 2022 serão determinantes para isso.

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