Azeite na alimentação infantil

Azeite-se / 07/12/2019 - 06h00

É um ato comportamental humano ter cuidados adicionais com a alimentação das crianças. Há um consenso de que a ingestão adequada de nutrientes nos primeiros anos de vida é essencial para a obtenção de desenvolvimento e crescimento saudáveis.

Durante anos a ciência privilegiou a importância de um nutriente em detrimento de outros. Ora as proteínas, ora os carboidratos, ora vitaminas e minerais ocuparam o pódio. Mas à medida em que as pesquisas foram avançando, concluiu-se que uma alimentação de boa qualidade é resultado do equilíbrio de todos os nutrientes em quantidade, proporções e variedades adequadas. No caso das gorduras, já se sabe que devem ser consumidas com moderação e que sua qualidade deve ser de qualidade superior, como o azeite de oliva. 

O azeite é rico em gordura monoinsaturada, que tem um papel protetor cardiovascular importante, por isso deve ser consumido habitualmente, na proporção correta e o quanto mais cedo for incluído na alimentação contribuirá para a diminuição de doenças cardiovasculares, pois diminui as taxas de LDL e aumenta as taxas de HDL e contribui para o controle da pressão arterial.

Consumido em dietas mediterrâneas há milênios, o azeite está associado a inúmeros benefícios à saúde, inclusive para as crianças. Na proporção correta, as gorduras são essenciais na alimentação infantil porque são ótimas fontes de energia, fornecem nove calorias por grama contra quatro calorias por grama das proteínas e carboidratos, são fontes de vitaminas lipossolúveis - A, D, E, K - auxiliam no processo de crescimento e participam ativamente da formação do sistema nervoso.

Iniciar bons hábitos alimentares na infância é fundamental. A partir do sexto mês é a fase de experimentação de novos sabores e o início da formação de bons hábitos alimentares. O azeite, pelos seus compostos químicos e o teor de ácido linoleico de 6 a 7%, se assemelha nisso à composição do leite materno e pode ser usado a partir dos 6 meses de idade, junto com a iniciação da alimentação pastosa, com a dosagem de uma colher de chá ao dia. 

O azeite de oliva é uma boa opção para o preparo de refeições e de outras elaborações da alimentação infantil. Alimentação essa que não deve ser monótona, e sim trazer refeições e lanches com boa apresentação e sabor. E nisso o azeite também pode ajudar. Esse alimento milenar enriquece o sabor dos alimentos, tornando-os muito mais apetitosos. 

Inicie incluindo no dia a dia o azeite de oliva em papinhas salgadas e em papinhas doces. Depois, inclua em legumes, verduras, carnes brancas e até em frutas e sobremesas. Isso auxiliará na adaptação alimentar da criança, que começa a perceber os diversos sabores (doces, amargos, picantes), aromas e texturas dos alimentos. 

E qual azeite utilizar? Lembre-se de que os azeites de oliva não são iguais. Existem mais de duas mil variedades de azeitonas catalogadas mundialmente. Levando em consideração apenas esse fator, já podemos imaginar a diversidade de azeites que podem ser produzidos, sem falar nos outros elementos que influenciam o azeite, como clima, solo, prática de cultivo, etc.

Pensando nesse nicho de mercado e nos consumidores mirins, algumas marcas já possuem azeites feitos exclusivamente para agradar o paladar das crianças e são vendidos em garrafas com apelo didático. No geral, dê preferência a usar na alimentação infantil o azeite de oliva extravirgem - de qualidade superior - com sabores mais suaves, frutados e amendoados. É importante que tenham também, mesmo que menos perceptível ao paladar, o amargor e a picância (atributos positivos do azeite) que auxiliarão as crianças na percepção desses sabores desde cedo.

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