A hora da decisão

Manoel Hygino / 29/01/2022 - 06h00

Conciliação é a palavra também na moda, neste ano de eleições. E ano significativo, porque é do bicentenário da Independência. Há muito a ser discutido, exposto, esclarecido – até porque grande parte do povo se preocupa com o percentual de pessoas nos estádios de futebol, diante da elevação dos índices de transmissão da Covid. E há, ainda, os que estão impelidos a irem aos bailões não recomendáveis nos fins de semana, sobretudo na periferia das grandes cidades. Como ficaria?

Dizem os veículos de comunicação que estamos em crise e que a situação se fez muito difícil, porque se polarizou. E há em torno de uma dúzia de candidatos no Planalto. Muitos concorrentes para um cargo só. Preconiza-se a conciliação como o caminho seguro.

O veterano jornalista Luiz Carlos Azedo acha que o centenário foi um ano de balacobaco. Desnudou mudanças em curso no mundo e no Brasil, balançou os alicerces da Primeira República. E, agora? No sesquicentenário, já foi um agito generalizado. Evocou-se igualmente a formação do gabinete do Marquês de Paraná, com um congraçamento, abraço de afogado ou beijo da morte.

Os detentores do poder em busca de uma solução delicada. Ninguém quer ceder um pedaço. O caminho seria a conciliação, mas algo distante ou meramente quimérico. Porém, o Marquês tinha força e coragem, sob a graça divina e a proteção de Sua Majestade Dom Pedro II.

Naquele momento dramático, como fim de novela das 20 horas, o Marquês subiu à tribuna da Casa Alta do Congresso, como relatado pelo jornalista Justiniano José da Rocha, a quem também não faltava disposição de abrir o jogo.

O orador subiu os degraus do púlpito político e sentenciou, em voz alta, porque microfones e alto-falantes não existiam ainda. “Não há mais saquaremas nem luzias, as lutas passadas estão extintas. O governo é conservador-progressista ou progressista-conservador”.

Quem conduzirá o bálsamo da conciliação este ano? Melhor dizer: no momento de agora? O Brasil se acha mais uma vez na encruzilhada. Quem se manterá de pé? Quem se dobrará? Ou conciliação significa que tudo fica como está?

Consta que Bolsonaro voltaria ao seu melhor papel: poria as manguinhas de fora para acirrar os ânimos. Seria o renascimento do período mais candente dos desafios e acusações aos que a ele e os seus projetos se contrapõem. Vamos assistir.

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