Como driblar o tédio em tempos de pandemia

Opinião / 28/01/2022 - 06h00

Mauro Condé*

“O encontro entre o leitor e o escritor é o encontro mais íntimo possível entre dois estranhos” - Paul Auster.

Acabo de voltar de uma viagem rumo ao conhecimento, usando como meio de transporte excelentes livros escritos durante a pandemia do Coronavírus, ideais para espantar o tédio neste período.

Eles me levaram para Florianópolis, Santa Catarina, onde fui recebido por Mário Prata, a quem fui logo pedindo:

Ensina-me algo que eu ainda não saiba e tenha o poder de mudar a minha vida para melhor.

- Aprenda a transitar mentalmente entre o real e o virtual/imaginário para se adaptar à era das novas tecnologias como a da RA (Realidade Aumentada).

Mário Prata é autor do livro “O Drible da Vaca”.

Em sua obra, ele usa e abusa do poder da imaginação sem limites para nos brindar com um universo paralelo onde ele combina duas de nossas maiores paixões: histórias bem contadas e futebol.

Prata idealiza uma teoria sobre as origens do futebol, num trabalho digno dos grandes craques da literatura.

Ele cria personagens imaginários, os mistura a personagens reais, ilustres e históricos, os enquadra e os conecta através de uma extensa linha de tempo real.

O faz com tamanha perfeição que somos induzidos a acreditar que a sua versão é que a versão oficial da criação do futebol.

Com extremo bom humor, já na primeira página, Prata nos apresenta o protótipo da primeira bola que, de acordo com sua imaginação, teria sido criada pelo gênio Leonardo Da Vinci, quase 400 anos antes da invenção do próprio esporte.

Com a autoridade de um grande escritor, ele retira o lendário coadjuvante Dr. Watson, elementar assistente de Sherlock Holmes, do seu papel secundário para transformá-lo em estrela, narrador e protagonista dos eventos que acontecem em sua época.

Atuando como professor de educação física da conceituada Universidade de Cambridge, na Inglaterra, em meados dos anos 1800, Watson recebe uma ordem da rainha Victória.

Criar um esporte que ainda não existisse, capaz de tornar irrelevante a competição de regata praticada no rio Tâmisa e dominada pela elite da Universidade de Oxford, como revanche por eles terem expulsado seu filho e futuro herdeiro, Albert Eduard.

E é assim, a partir do interior da mente genial de Prata que nasce o futebol, filho do casamento do ciúme com a inovação, para entrar para a história e se transformar na mais importante dentre as coisas menos importantes do mundo.

*Palestrante, Consultor e Fundador do Blog do Maluco

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