As múltiplas formas de aprendizagem e os ajustes para se extrair o melhor delas

Opinião / 29/01/2022 - 06h00

Leonardo Libman*

Com o avanço da tecnologia, muitas áreas estão se modificando e sendo impactadas positivamente, incluindo, e quem sabe até de uma forma mais pertinente, a educação – cada vez mais distante da tradicional imagem do professor escrevendo na lousa, acompanhado presencialmente por um grupo de alunos focados nele.

Temos novos modos de aprender oferecidos pelos avanços tecnológicos - físico, interpessoal, linguística, musical e visual - que nos presenteiam com um aprendizado mais aguçado e, naturalmente, prazeroso. Mais do que nunca, o ensino está descentralizado da imagem do professor. Não que ele tenha perdido espaço ou a importância. De modo algum, pois em todo modo de aprendizado sempre será necessária a presença de alguém que ensine, ou seja, o educador.

Aqui é preciso fazer uma ressalva. Notadamente a educação a distância, proporcionada por esse novo cenário, tem muitos benefícios, mas não pode ser a única opção pois muitos simplesmente não têm acesso a internet com qualidade. Como a educação é um direito de todos, é importante garantir o acesso presencial a todos para assegurar a qualidade do ensino e o acompanhamento assertivo de alunos com dificuldades.

Voltando à questão central, é importante que o novo profissional da educação seja mais flexível, que não apenas conheça a tecnologia, mas que também seja capaz de transformar o espaço escolar, modificando e inovando o processo de ensino e aprendizagem. Desta forma, será possível dividir a atenção dos alunos com novas experiências práticas e também em conteúdos multimídias. Além disso, é importante abordar os temas em sua total amplitude, sabendo abrir as salas de aula cada vez mais para pesquisas, reflexões, debates e novos pontos de vista, trabalhando o humanismo, o senso crítico, o protagonismo dos alunos e a reflexão individual e coletiva sobre os temas abordados.

Os temas propostos precisam ser abordados em sua total amplitude. Com sugestão de mais pesquisas, reflexões, debates e novos pontos de vista, trabalhando o humanismo, o senso crítico, o protagonismo dos alunos e a reflexão individual e coletiva sobre os temas abordados, pensando aqui no cidadão e no profissional do futuro.

Falando especificamente sobre o lado profissional, há um outro ponto importante, e que deve ganhar mais atenção. Sabendo da existência de muitas profissões, afinal no mundo online o campo de pesquisa é muito maior, é necessário ser cada vez mais claro sobre o que cada uma exige e oferece.

O que há em cada carreira não deve ser passado adiante apenas pela descrição das atividades, mas também e principalmente pela vivência nelas. Que tal começarmos a apresentar aos jovens à real conexão entre uma profissão específica e qual a competência geral da educação elaborada pela BNCC que mais se adapta. Desta forma, o aluno consegue explorar e potencializar melhor a construção do seu itinerário formativo em busca de uma decisão mais assertiva ao final do novo ensino médio. Eis aí algo que precisa ser trabalhado, para que ao se deparar com uma área, o jovem, ou aquele que pretenda ingressar nela, tenha, de algum modo, a possibilidade de degustar o dia a dia daquela profissão, que possa conhecer um pouco mais suas dores e alegrias. Hoje esse direcionamento é feito por testes vocacionais, que têm o seu valor, pois indicam a aptidão natural de cada um, mas é preciso mais, é preciso conhecer, de alguma forma, a rotina de cada profissão antes fazer uma escolha que, a princípio, é para a vida.

*Sócio-fundador e CEO da Seren, edtech brasileira desenvolvedora da metodologia de ensino baseado na experimentação vocacional

Publicidade
Publicidade
Publicidade
Comentários