Humanizar seu cão. Isso é bom para ele?

Opinião / 07/01/2022 - 06h00

Luisa Pires*

Ter um cão em casa é, para a maioria das pessoas, sinônimo de companhia. Com eles, conseguimos desenvolver sentimentos muito importantes como afeto, cuidado e amor. Quando criado dentro de casa, o cão compartilha com você momentos de lazer e diversão. Mas é preciso sempre avaliar: estamos tratando realmente os cães como animais que são? Como evitar a humanização?

Tratar um cachorro de forma humanizada pode prejudicar os comportamentos instintivos do animal e, com isso, gerar atitudes não sociáveis, agressivas e até destrutivas. E quando falo de humanização, estou falando de tratamentos que não são naturais a um cão. Diversos vídeos viralizaram na internet com cenas em que cães são levados em passeios dentro de carrinhos de bebê. Esse é um exemplo de tratamento não-natural e acende um alerta sobre a forma como estamos tratando os cachorros. Os pequenos, pela facilidade de serem criados dentro de casa, são os mais propensos à agressividade justamente pela tendência a serem humanizados. 

Amor x respeito

Falo muito que devemos amar nossos cães como se fossem humanos, mas respeitá-los como cães. A eles devem ser dados os tratamentos que eles merecem, que vão ajudar no desenvolvimento e na convivência. E não os que nós, humanos, achamos que eles querem. Ou ainda, como nós gostaríamos de ser tratados. Precisamos deixar nosso ego de lado. 

O cão é um animal com senso de pertencimento a um grupo, a uma matilha. A família pode ter esse papel. Mas é preciso ir além e estimular que ele crie laços com outros cães. E por isso o day care - serviço equivalente a uma escola - é tão importante. Nesse espaço, o cão compartilha espaços e brinquedos, aprende comandos e a conviver melhor dentro de um grupo.<EM>
 
Uma rotina saudável

Um cão precisa de rotina, horários regulares e exercícios físicos. Se você mora em apartamento ou em casa que não tem um espaço grande, é muito importante que você ande com seu cachorro todos os dias por, pelo menos, 30 minutos, e não apenas o suficiente para o “xixi”. Mesmo as raças de focinho curto, que podem ter menos fôlego do que outras, precisam desse tempo mínimo para se exercitar. 

Fazer uma caminhada grande com o cachorro ou deixá-lo correr em um espaço adequado e seguro garantem que ele gaste energia. O exercício diminui a agressividade e a ansiedade, deixando o cão mais calmo e menos bagunceiro dentro de casa.

Outro ponto importante na criação de um cachorro são os exercícios mentais. Um que eu recomendo é esconder comida ou o petisco favorito dele em algum objeto. Uma dica: faça alguns furos em uma garrafa pet e coloque os petiscos ali dentro. O cão vai precisar pensar em como tirar o alimento dali e ainda vai gastar energia. Brinquedos próprios para cães, como cordas e bolas, são ótimos para essa finalidade também.

No treinamento de cães, é fundamental que punição e recompensa sejam bem distintas. Como exemplo, não se deve dar carinho após um mau comportamento. O cão pode entender que é uma recompensa e repetir. Da mesma forma, não se deve dar uma punição somente porque você está cansado e não quer interagir com ele. O cachorro precisa de confiança e liderança. Ele não pode ter medo de você.

E quando falo em punição, estou dizendo sobre atitudes de repressão, como um gesto ou uma expressão falada em tom de voz firme. Nunca, em hipótese nenhuma, um cão deve ser agredido.

Por mais amor e afeto que você tenha pelo seu cão, ele não é uma pessoa. Não significa que você não possa demonstrar carinho, fazer um afago, abraçar. Você pode e deve. Mas até para essa demonstração de amor o cão precisa de rotina e o tutor, de conhecimento. Cada raça tem uma especificidade. Então, sempre que possível, procure um profissional para te orientar sobre a melhor educação para seu cão.

*Fundadora do Centro Educacional para Cães Aufabeto

 

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