A vida na sociedade do cansaço

Opinião / 03/04/2021 - 14h17

“A morte é o jeito da natureza forçá-lo a diminuir o ritmo.Prefira o descanso, o relaxamento e a meditação no lugar da morte prematura.” Ajahn Brahm.

Acabo de voltar de uma viagem rumo ao conhecimento, usando como meio de transporte excelentes livros sobre Filosofia.

Eles me levaram para a Universidade de Berlim na Alemanha, onde fui recebido por Byung-chul Han, a quem fui logo pedindo:

Ensina-me algo que eu ainda não saiba e tenha o poder de mudar a minha vida para melhor.

-Tome cuidado com o grande vazio de uma vida ocupada demais !

Byung-chul Han é um renomado filósofo coreano que leciona na Alemanha e que escreveu “A Sociedade Do Cansaço”, um livro curto, porém profundo em reflexões para uma vida melhor.

Nessa obra-prima, Han lembra que Michel Foucault descrevia a geração anterior à nossa como a geração da obediência e respeito às ordens e proibições.

Fala que gradualmente, a sociedade da obediência foi substituída pela sociedade do culto à liberdade individual e à autorrealização.

Incentivados por lemas como o “Yes, we can! (Sim, nós podemos!)” viralizado a partir do célebre discurso de Barack Obama, aceitamos trocar a nossa obediência por uma pseudo sensação de liberdade.

Fomos sutil e lentamente induzidos a acreditar que a troca da vigilância e da patrulha formada por seres hierarquicamente “superiores” e draconianos pela autovigilância nos daria mais controle sobre nossas vidas.

O problema é que não existe ninguém impiedosamente pior para nos vigiar e nos controlar, nessa moderna sociedade digital e de alta performance e entrega de resultados, do que nós mesmos.

Preocupados pela tão propagada competição entre os seres humanos, passamos a exigir de nós mesmos mais suor, mais lágrimas e mais sangue, metaforicamente falando, criando a sociedade do cansaço com seres tristes, ansiosos e cada vez mais deprimidos por nossas autocobranças.

Han termina nos sugerindo uma imersão contemplativa, um mergulho dentro de nós mesmos para nos sentirmos menos cansados e para nos darmos tempo para curtir o tédio e a presença plena.

Ele não defende o descansar pelo descansar para voltar mais produtivo, mas o descansar pelo simples prazer que o descanso gera.

Trata-se de se reconectar com o essencial, aprendendo a curtir mais e a exigir menos.

E alerta : “nunca deixe o excesso no aumento da carga do desempenho provocar o infarto da alma”

(*) Palestrante, Consultor e Fundador do Blog do Maluco.

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