Qual é a sua idade biológica?

Opinião / 06/12/2014 - 07h28

Mohamad Barakat - Médico endocrinologista

 

Por que as pessoas estão apresentando sintomas do envelhecimento tão precocemente? Isso não acontecia antigamente, mas hoje em dia, mesmo com tantos tratamentos preventivos, os sintomas da idade são os mais frequentes da população.

Tudo isso está diretamente relacionado ao modo como você toca a sua vida, ou seja, das ações que determinam o seu estilo de vida. Tudo se relaciona à nossa idade biológica e como ela se apresenta de acordo com os nossos hábitos.

Até 50 anos atrás, a herança genética era preponderante na determinação de doenças futuras, pois as pessoas, mesmo de diferentes classes sociais, tinham um estilo de vida parecido, alimentavam-se e tinham o mesmo nível de atividade física. Hoje, entretanto, as heranças genéticas não são mais do que 30% responsáveis pela determinação da idade biológica, e sim o estilo de vida, que corresponde a 60%.

A idade cronológica é um parâmetro considerado obsoleto e que não pode mais ser utilizado de forma isolada para definir se alguém é mais ou menos saudável ou se está mais ou menos propenso a desenvolver doenças. Nós, seres humanos, envelhecemos obedecendo a ritmos e velocidade completamente diferentes uns dos outros. Se analisarmos dez indivíduos com 50 anos, ao aferirmos seus processos metabólicos iremos constatar que cada um deles tem, na verdade, idades totalmente diferentes. Isto deu lugar a um conceito novo e exatamente importante: a idade biológica, ou seja, a sua idade funcional ou a idade do seu metabolismo.

Hábitos e vícios prejudiciais à saúde estão diretamente relacionados à nossa idade biológica. Uma pessoa pode ter 50 anos, mas o seu metabolismo e suas funções vitais podem ser iguais a alguém de 40 ou 35 anos, ou alguém mais velho, de 55 ou 65, por exemplo. Isto explica porque alguém aparenta ter uma idade maior ou menor quando olhamos os traços faciais, e também porque alguém tem um infarto aos 40 anos, porém, na realidade, com idade biológica de 70 anos.

Já que não é possível parar o tempo, usamos um truque bastante inteligente, que consiste, uma vez identificada a velocidade com que a pessoa está envelhecendo e que funções orgânicas estão mais comprometidas, em aplicar terapias que possam “atrasar” o relógio biológico, e desacelerar substancialmente o envelhecimento e otimizar sua capacidade funcional.

Por exemplo, aos 12 anos de idade, eu pesava 90 kg e levava uma vida desregrada. Minha mãe é bariátrica e na família todos apresentavam obesidade mórbida. Já meu pai e na família dele todos são diabéticos e sofreram de infarto antes dos 50 anos, vivendo uma vida sem qualidade. Teoricamente, esse seria meu destino. Bloqueei meu processo genético. Hoje, eu tenho 108 kg, 7% de gordura, 52 anos cronológicos, não apresento nenhuma patologia e/ou doença, meus hormônios estão regulados e meu sono adequado, a minha percepção é de um homem entre 20 e 30 anos.

Quantas pessoas entre 20 e 30 anos estão dormindo mal, com baixa libido, baixa disposição, com memória e concentração diminuídas? Apesar da idade, a idade biológica pode estar muito mais avançada.

Ao apostarmos em manter o indivíduo saudável através de hábitos saudáveis de vida estamos minimizando as chances de desenvolver doenças, melhorando de forma expressiva a qualidade de vida e atingindo o objetivo maior da medicina antienvelhecimento, que é permitir uma vida produtiva, independente, digna, plena, saudável e feliz. Envelhecer é normal. Sentir-se velho e aceitar a velhice, não.
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