A urgente salvação do PT

Opinião / 27/12/2014 - 15h08
Em face dos indícios deprimentes de malversação dos recursos públicos que o Brasil atravessa, sem perspectiva de contenção, o Partido dos Trabalhadores pretende adotar um esquema que resguarde a sua imagem junto ao eleitorado.
 
A iniciativa consistiu na formação de um grupo de especialistas em finanças e economia, capaz de assistir o seu presidente, Rui Falcão, sempre que este for obrigado a sair a campo em defesa do PT, quando acusado de participação – ou omissão – nos descalabros surgidos.
 
Esta medida certamente resultou do escândalo da Petrobras, envolvendo figuras de proa do partido, em especial o sindicalista e tesoureiro João Vaccari Neto, cuja reputação Lula e Dilma Rousseff têm-se empenhado em resguardar.
 
Segundo alguns ministros do governo atual, essa providência tornou-se necessária uma vez que a Executiva é de pouca expressão, tornando-se indispensável aglutinar forças que possam assegurar a futura candidatura de Lula no pleito de 2018.
 
A esta altura, já são conhecidos nomes como o de Gilberto Carvalho, Marco Aurélio Garcia, Luiz Dulci, Humberto Costa e outros que ficariam responsáveis pela interlocução com a base da falange trabalhista.
 
Os que forem selecionados constituiriam uma “executiva auxiliar”, dotada de presumível experiência para desfazer a impressão de que o PT estaria irremediavelmente contaminado pela corrupção, desde o processo do mensalão até o escândalo da Petrobras.
 
A imprescindibilidade de melhorar esta feição comprometedora ficou patente no dia em que Dilma escalou o ministro José Eduardo Cardozo para contrapor-se à proposta de destituição da diretoria da Petrobras, sustentada pelo procurador-geral Rodrigo Janot.
 
A administração do governador Agnelo Queiroz é considerada a pior de toda a história de Brasília: ruas esburacadas, obras paradas, greve de ônibus, atraso de salários e falta de pagamento aos fornecedores. O PT, que ali sempre contou com fiel grupo de seguidores, está fadado a uma insurreição por parte da população, tal a gravidade do quadro atual.
 
Até outubro, o rombo era de R$ 3,2 bilhões, enquanto um lindo estádio enfeita o centro da cidade a um custo de R$ 1,8 bilhão.
 
Como a direção do partido tem mandato até 2017, urge a criação de um esquema capaz de resistir a esses impactos negativos, que certamente arrefecerão o entusiasmo dos eleitores que concorreram para a recondução da presidente Dilma. Esta já externou o seu desaponto, mormente quando a oposição lhe desfere acusações de que fora omissa quanto às falcatruas cometidas na Petrobras, desde os anos em que exercia a presidência de seu Conselho de Administração.
 
Embora vencedora no pleito de outubro passado, Dilma já deve estar sentindo a fragilidade de seu governo, o mesmo ocorrendo com o seu inventor, que agora pretende a criação de um gabinete que possa minimizar o enxame de denúncias diárias que esfacelam o poderio de uma agremiação política que, no passado, tornou-se respeitada e ganhou notoriedade pelo combate que fazia à corrupção.
 
Presidente da Academia Mineira de Letras Jurídicas e diretor do Instituto dos Advogados Brasileiros 
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