Perda auditiva e suas consequências

Opinião / 17/12/2014 - 07h15

* Marconi Teixeira


A perda auditiva causa sérios problemas para as pessoas que têm que conviver com ela, tanto na esfera pessoal, quanto profissional. Estima-se que o número de deficientes deva só crescer, não só pela maior longevidade das pessoas, quanto por hábitos modernos, como fones de ouvidos, e pela vida cotidiana nos grandes centros, cada vez mais ruidosos

Segundo o Censo realizado pelo IBGE em 2010, aproximadamente 10 milhões de pessoas apresentam deficiência auditiva no Brasil, sendo que destes, dois milhões apresentam em grau severo. O Censo também indicou que do total de deficientes auditivos, um milhão são crianças e jovens até 19 anos de idade.

Define-se como perda auditiva a redução transitória ou definitiva da acuidade auditiva, em um ou ambos os ouvidos. Há dezenas de causas, das mais variadas origens, e muitas delas costumam estar relacionadas com a faixa etária.

Na infância, por exemplo, os processos inflamatórios do ouvido (otites) constituem na principal causa de perda auditiva, ao passo que no idoso a degeneração das células sensoriais da audição ou do nervo auditivo (Presbiacusia) constitui-se na principal causa. Já entre jovens e adultos, as causas são a exposição a ruídos seja no trabalho, no lazer ou mesmo no aumento do barulho nas grandes cidades.

A redução da capacidade auditiva gera consequências, as quais dependem da severidade desta redução e do momento da vida do indivíduo em que ela ocorre.

Uma perda auditiva congênita ou adquirida que ocorra nos primeiros meses de vida, antes da aquisição da fala, costuma ser mais dramática, pois dependendo do grau de perda, pode comprometer seriamente a aquisição da linguagem oral.

Já no adulto e no idoso, pode levar não só ao comprometimento do exercício profissional, quanto a limitações do convívio social pleno.

Os sintomas mais comuns são dificuldades de entendimento da fala, necessidade do volume de som mais alto e desatenção.

O zumbido persistente, que segundo estimativa da Sociedade Brasileira de Otologia, acomete cerca de 15% da população brasileira, costuma ser um indicativo de perda auditiva. A queda no rendimento escolar, pode ser indícios de perda auditiva.

Atenção muito especial deve ser dada aos recém-nascidos, que devem realizar dentro dos primeiros 30 dias de nascimento exame para avaliar a normalidade das vias auditivas (teste da orelhinha).

A prevenção da perda auditiva engloba uma série de medidas adequadas a situações que podem ser nocivas à audição. No trabalhador exposto a ruído, o uso de abafadores de som durante a jornada de trabalho é imperativo.

Assim como em profissionais que trabalham com telefonia, intervalos regulares para descanso auditivo devem ser adotados. O jovem deve ser aconselhado a evitar o uso prolongado de fones de ouvido.

A reabilitação da perda auditiva depende da causa diagnosticada. Algumas causas podem ser corrigidas com tratamento clínico ou cirúrgico. Naquelas situações onde isto não seja possível, a adaptação de aparelhos auditivos pode ser uma boa alternativa. São próteses que evoluíram tecnologicamente ao longo dos últimos anos, possibilitando o fornecimento de melhor qualidade sonora associada a uma aparência estética bastante aceitável.

Naquelas situações onde o grau de perda auditiva ou condições anatômicas não permitirem uma boa adaptação ao aparelho auditivo, uma série de próteses cirurgicamente implantáveis tem permitido ao longo das duas últimas décadas a reabilitação da audição em casos antes considerados “perdidos”.

Médico otorrinolaringologista e doutor em medicina 

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