Hotéis e práticas sustentáveis

Opinião / 30/12/2014 - 07h33
Cecília Zon Rogério*
 
Não há dúvidas de que nosso planeta mostra claros sinais de degradação ambiental e indícios de que os recursos naturais estão com sua disponibilidade ameaçada. Com isso, os projetos que utilizam de forma inteligente a tecnologia com o objetivo de causar o mínimo impacto ao meio ambiente têm se tornado tendência no mundo da construção e o setor hoteleiro não fica de fora desse quadro. 
 
O Brasil já é o 4º país no ranking mundial de empreendimentos “verdes”, segundo dados da Green Building Council (GBC Brasil), responsável por promover esse mercado no país. Perde apenas para os Estados Unidos, China e Emirados Árabes. Esse resultado teve início em 2006, quando percebemos o boom imobiliário. Nesse momento, sentimos a obrigação de investir ainda mais em produtos sustentáveis para continuar colaborando com o meio em que vivemos e atendendo o novo perfil de consumidor, cada vez mais preocupado e engajado nessa causa.
 
Só para se ter uma ideia de como a sustentabilidade virou um caso de amor para os consumidores: uma pesquisa realizada com 30 mil pessoas de 60 países revelou que 55% delas estão dispostas a pagar mais por produtos e serviços de empresas comprometidas com a sustentabilidade. A “geração do milênio” (que são pessoas entre 21 e 34 anos) é a responsável por movimentar esse mercado. Eles são mais atentos e cuidadosos quanto aos impactos sobre o ambiente e a sociedade.
 
As atitudes estão mudando e é preciso que criemos tendências para sustentabilidade. Também é preciso entender que poupar os recursos seria a única forma de assegurarmos que eles continuarão a alimentar e a abastecer os seres humanos que habitarão o nosso planeta no futuro. 
 
As empresas brasileiras estão buscando prédios com esse tipo de concepção e de eficiência e o consumidor também quer transparência das corporações.
 
Sabemos que o custo inicial de uma obra sustentável com esse perfil é maior se comparado a um empreendimento convencional, de 7% a 15%. Por outro lado, quando terminado, os custos operacionais são menores, de 6% a 9%. Isso porque o consumo de energia é, em média, 30% menor; o de água cai de 30% a 50%, além da própria valorização do imóvel.
 
Com a utilização de dispositivos economizadores de energia elétrica, sistema de aquecimento solar, utilização de grupo gerador para os horários de maior custo de energia, entre outros itens, os empreendimentos verdes têm, a partir do segundo ou terceiro ano de uso, a economia acumulada na conta de energia, compensando o custo inicial de implantação dos equipamentos, os quais possuem vida útil de cerca de 20 anos. 
 
Para economia de água, existem vasos sanitários que podem economizar até 60% de água, chuveiros com controle de fluxo, além de reservatórios de retardo e reúso de água da chuva. Não faltam tecnologias, é necessário planejamento. Um projeto bem elaborado e calculado utiliza melhor os materiais e pode ainda dar o destino correto aos resíduos. 
 
Porém, para a implantação de projetos sustentáveis, é necessário um estudo para garantia de rentabilidade do negócio, que inclui a economia de recursos tanto na construção do empreendimento, quanto na operação do hotel.
 
Torcemos para que não seja apenas uma tendência passageira. A expectativa é a de que as pessoas adotem, cada vez mais, sistemas ambientalmente sustentáveis. 
 
*Arquiteta e diretora da Incortel, Incorporação e Desenvolvimento Hoteleiro
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