Até quando?

Opinião / 20/12/2014 - 08h02
Por Aristoteles Atheniense*
 
A notícia de que Graça Foster colocou o seu cargo de presidente da Petrobras à disposição de Dilma Rousseff, pelo menos em duas oportunidades, comporta dupla interpretação.
 
A princípio, pairou a impressão de que a sua saída seria consequência da fala do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que reclamou o afastamento de toda a diretoria da estatal, em face da gravidade dos fatos, até agora conhecidos, cometidos naquela empresa. Assim, antes que ocorresse a sua destituição, seria mais prudente que Graça Foster deixasse o posto de comando, demonstrando, com isso, o seu desconhecimento das falcatruas apuradas.
 
Ocorre que, com a revelação do teor das mensagens enviadas por Venina Velosa da Fonseca à presidente da estatal, colocando-a a par do que vinha ocorrendo na Petrobras, a sua renúncia passou a constituir uma versão diferente.
 
Como Foster era diretora de Gás e Energia quando a Polícia Federal começou a desbaratar o esquema criminoso, sobreveio a suspeita de que a sua retirada visava evitar que fosse atingida pelo que ainda viesse a ser apurado no curso das investigações.
 
Na época em que foram cometidos os fatos que estão sendo esmiuçados, Venina era subordinada a Paulo Roberto Costa. Assim, tudo faz crer que a revelação feita por ela ao jornal “Valor Econômico” era procedente.
 
Altos servidores da empresa têm afirmado que a retirada de Graça Foster não passa de uma simulação, pois, como Dilma Rousseff foi sempre sua amiga dileta, a recusa à sua saída teria por objetivo fortalecê-la na permanência do cargo que ocupa.
 
A questionada demissão está em sintonia com os termos incisivos usados por Rodrigo Janot no Dia Internacional de Combate à Corrupção, ao referir-se ao alvoroço que irrompeu na Petrobras: “Esperam-se as reformulações cabíveis, sem expiar ou imputar previamente culpa, a eventual substituição da sua diretoria”.
Na ocasião deste pronunciamento, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, não <CW0>emitiu uma palavra sequer que importasse em discordância com o chefe do Ministério Público Federal. Somente após ter sido compelido por Dilma Rousseff a vestir a camisa do governo foi que Cardozo saiu em defesa da presidente, empenhado em neutralizar os efeitos da manifestação de Rodrigo Janot.
 
O acobertamento dessas trapaças, como já foi aventado, deverá engordar ainda mais o processo judicial em curso nos Estados Unidos. No feito instaurado, a Petrobras é acusada de haver fraudado investidores daquele país. A sua imagem está definitivamente comprometida no exterior, o que afeta o seu crédito internacional. A possibilidade de Graça Foster vir a ser alijada da presidência somente quando da reforma ministerial, prevista para janeiro, não será um paliativo para a crise existente.
 
A destituição imediata da diretoria e de seu conselho de administração tornou-se a única forma de estancar uma sangria que, a cada dia, torna-se mais incontrolável, com risco de atingir o Planalto.
 
*Presidente da Academia Mineira de Letras Jurídicas e diretor do Instituto dos Advogados Brasileiros 
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