Concurso é uma guerra; futebol, não

Opinião / 06/12/2014 - 07h29

José Roberto Lima - Funcionário público aposentado, advogado, professor de Direito Penal e autor do livro “Como passei em 15 concursos”, da Ed. Método

Treze milhões de pessoas estão se preparando para os concursos públicos que serão realizados em breve. Em comparação com as estatísticas militares, esse número somente é superado pelo de soldados na Segunda Guerra Mundial. Portanto, quem entra num concurso entra numa guerra. Já o futebol, apesar das muitas analogias que se pode fazer com os concursos, é outro tipo de disputa. É um esporte e, como tal, tem sido tratado ultimamente pelos dirigentes, atletas e torcedores mineiros.

A decisão inédita da Copa do Brasil entre Atlético e Cruzeiro transcorreu em clima de paz. Como nota de pesar, houve a morte de um torcedor que “surfava” no alto de um ônibus. Também houve, como sempre, a ação dos intolerantes com as predileções futebolísticas alheias. Mas eles são e continuarão sendo minoria. Fora isso, o balanço da Segurança Pública foi positivo. Aliás, as Polícias Militar e Civil merecem parabéns.

Essa mentalidade da não violência, típica do verdadeiro torcedor, deve ser a mesma do concurseiro. O colega que toma assento a seu lado durante as aulas concorre à mesma vaga que você almeja. E pode ser que ele torça pelo time que lhe é adversário. Mas é inútil tratá-lo como inimigo a ser eliminado. Ao contrário, o ato de compartilhar conhecimento com os colegas potencializa o aprendizado de todos. É por isso que nós, professores, temos o costume de propor atividades em grupo. Isso é eficiente desde a pré-escola até o doutorado.

Mas o colega é meu concorrente – poderia alguém argumentar. Sim, mas o ato de compartilhar conhecimento com ele traz benefícios para todos. E quanto à condição de concorrente, ele está no final de uma imensa fila. Antes dele, há muitas outras pessoas que podem estar empenhadas no seu fracasso, embora nada ganhem com isso, exceto uma alegria fugaz.

Esteja atento a esse perigo, que vai muito além da intolerância futebolística. Quando você se prepara seriamente para um concurso, descobrirá que entrou numa guerra na qual os inimigos, usando táticas de guerrilha, podem se esconder na figura aparentemente amistosa de um vizinho, de colega de trabalho e até mesmo de um parente.

E tome cuidado: eles podem torcer pelo mesmo time da sua predileção. Por outro lado, o torcedor do time rival pode ser um verdadeiro amigo, com o qual vale a pena compartilhar conhecimento. Então, estabeleça suas relações sem animosidade futebolística, fazendo no seu universo pessoal aquilo que se pôde observar na multidão de torcedores atleticanos e cruzeirenses, ressalvadas as exceções minoritárias. Traga para a sua vida cotidiana a certeza de que concurso é uma guerra; futebol, não.
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