O Brasil, os guaranis e o Líbano

Opinião / 31/12/2014 - 07h40
Mauro Santayana
 
O Brasil acaba de anunciar a venda para o Líbano de 80 tanques Guarani, fabricados, sob licença do Exército Brasileiro – a quem pertence o desenho –, na fábrica da Iveco da cidade de Sete Lagoas.
 
Nos últimos 4 anos, o Brasil fechou a compra de 2.000 blindados, 36 caças e 4 submarinos, entre eles o nosso primeiro submergível de propulsão nuclear.
 
No caso dos caças da FAB, que em sua maioria serão fabricados em nosso país, o Brasil ficará responsável pelo desenvolvimento de 40% do projeto do Gripen NG BR, e a Suécia, sede da SAAB, por 60%.
 
No dia 12 de dezembro, foi inaugurado o Estaleiro de Construção de Submarinos, em Itaguaí, no Rio de Janeiro. A tecnologia para a forja das secções dos cascos, pela Nuclep, é francesa, e a do reator atômico do submarino nuclear, brasileira.
 
Além disso, nos últimos anos, foram desenvolvidos, e entraram em fabricação, os radares da linha Saber, da Bradar; o novo Sistema Astros 2020, destinado à artilharia do Exército e aos fuzileiros navais, que lança desde mísseis de saturação a um míssil de cruzeiro, com alcance de 300 quilômetros; a nova família de fuzis de assalto IA-2, totalmente desenvolvida no Brasil, e fabricada em Itajubá, pela IMBEL; foi alcançada a remotorização, também 100% nacional, dos motores dos mísseis navais tipo Exocet, pela Marinha; a Helibras, também em Itajubá, aumentou a nacionalização de seus helicópteros destinados à aviação militar; a FAB e a Embraer concluíram o desenvolvimento do Cargueiro Militar KC-390, o maior avião já construído no Brasil, cujo rollout foi feito em outubro, e que deve voar no início de 2015; e o Brasil está desenvolvendo, em parceria com a África do Sul (Avibras-Mectron-Denel), o míssil ar-ar A-Darter, para uso nos novos caças Gripen NG-BR. 
 
É importante saudar e comemorar a primeira encomenda de exportação de nossos tanques Guarani, para o Líbano, país em que o Brasil comanda, desde 2011, a Unifil, Força de Paz das Nações Unidas, e no qual moram cerca de 10.000 brasileiros. 
 
Além de ser o batismo de fogo do produto no mercado internacional essa venda certamente contribuirá para a consolidação do processo de fabricação e para a geração de novos empregos em Sete Lagoas.
 
Na área de Defesa, no entanto, principalmente na hipótese de conflito, nem sempre se pode confiar – como tão bem ficou demonstrado no caso da Argentina na Guerra das Malvinas – em parceiros estrangeiros.
Na fabricação de navios, aviões, helicópteros e também blindados, é preciso avançar no aumento do conteúdo nacional. 
 
Hoje, peças de aço e de outros metais já podem ser fabricadas com o uso da impressão 3D, ou outros sistemas de clonagem e prototipagem rápida. E, no caso de hardware, é preciso promover a fabricação sob licença em território nacional, para evitar a importação de peças sem as quais nossas linhas de fabricação ficariam paralisadas em caso de guerra.
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