As mulheres de TI

Opinião / 11/12/2014 - 06h30

O mercado vem demonstrando importantes mudanças de parâmetros na questão de redução na desigualdade de gêneros na profissão. Antes pequena e restrita a algumas funções, a presença das mulheres em cargos de gestão e, inclusive, à frente de importantes projetos já é uma realidade que veio para ficar. Pesquisa do Sebrae, por exemplo, aponta que elas representam 52% dos novos negócios abertos no país. Há dez anos, esse número era inferior a 30%.

A força do empreendedorismo feminino alcançou até mercados antes liderados pelo público masculino, como é o caso da área de tecnologia da informação. Hoje, segundo pesquisas de mercado, as mulheres representam aproximadamente 20% do total de trabalhadores do segmento.

O setor demanda profissionais cada vez mais especializados e aptos a enfrentar a alta competitividade e as constantes mudanças do mundo moderno. Líderes femininas têm se sobressaído, principalmente por trazer características como flexibilidade, sensibilidade e poder de diálogo aos processos de gestão das companhias. Além disso, a mulher possui uma forte determinação em transcender suas limitações e se projetar em desafios que lhe dê reconhecimento, independência financeira e evidência, o que colabora para um maior sucesso.

A ascensão feminina no mercado de TI também é um reflexo da maior busca pela especialização. Esse movimento tem se destacado, inclusive, entre as mulheres das classes C, D e E – cada vez mais importantes no desenvolvimento econômico brasileiro. Na Associação de Mulheres Empreendedoras (AME), entidade que busca a valorização da mulher na sociedade e no mercado de trabalho, a procura por cursos de informática cresce a cada ano, somando centenas de profissionais capacitadas nos últimos dez anos.

Ainda temos muito a fazer para consolidar a presença feminina no ambiente de negócios. Em diversas regiões do país, perdura a ideia de que a mulher tem que cuidar apenas da casa e da família. Mesmo com o aumento gradativo das mulheres no comando das famílias brasileiras – 38% do total –, ainda existem grandes obstáculos para liquidar esse antagonismo de gêneros.

Além da criação de leis que favoreçam a igualdade, devemos investir em iniciativas de educação aos nossos herdeiros e trabalhar de forma evolutiva para que haja um sistema sustentável para as gerações futuras nos âmbitos profissional e privado.

É preciso, ainda, eliminar do mercado essa mentalidade da diferença de gênero como fator importante para exercer um cargo estratégico nas empresas. Não há mais dúvidas de que estamos preparadas para conduzir negócios inovadores e bem-sucedidos. Hoje, após anos de luta, podemos dizer que somos responsáveis não só pelo sucesso de nossa família, mas pelo crescimento sustentável do país.

Fundadora e líder da Globalweb Corp e presidente da Associação de Mulheres Empreendedoras 

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