Menos estresse, mais trabalho

Opinião / 17/12/2014 - 07h13

* Rodrigo Bertozzi

No mundo pós-moderno, marcado pela velocidade, por mudanças constantes e pela competição acirrada entre as empresas, a pressão por resultados torna o ambiente de trabalho cada vez mais impregnado de tensão, afetando diretamente a saúde mental e física dos trabalhadores, principalmente de alto escalão.

Essa competição faz aflorar sentimentos negativos, como soberba, ressentimento, revolta e raiva. Sim, são sentimentos irracionais, mas demasiadamente humanos e que, num ambiente corporativo, se refletem em comportamentos inadequados, provocando mal-estar no trabalho, afetando inclusive a produtividade e o lucro das companhias.

Como sabemos, os maus exemplos tendem a predominar sobre os bons. Coloque uma pessoa nervosa, muito agitada ou, ao contrário, uma outra, desanimada e sem iniciativa, no meio de uma equipe produtiva e meça os resultados. Certamente serão desastrosos. Mas muitas empresas teimam em não ver isso, pois não levam em conta a necessidade de se administrar as emoções dos executivos para manter o equilíbrio da companhia. No caso de empresas familiares, a situação tende a ser ainda mais grave, já que as emoções ficam à flor da pele, uma vez que é tênue a fronteira entre os interesses da empresa e os da família.

Os empresários precisam entender que, para administrar as emoções de seus executivos, é necessário levá-las em conta. É preciso contar com o apoio de especialistas para mapear comportamentos e trabalhar a fonte dos conflitos, a fim de eliminá-los. Como resultados, virão maior realização pessoal de patrões e executivos, equipes de trabalho mais felizes e uma empresa mais fortalecida e competitiva. Para isso, estou lançando, junto com a médica psiquiátrica Raquel Heep, o programa Psiquiatria Corporativa. Por meio de minha experiência no meio empresarial e da experiência dela no consultório, queremos levar às empresas e aos seus profissionais um trabalho comprovadamente eficaz de desenvolvimento de competências e estratégias emocionais e comportamentais.

É ingenuidade um presidente de empresa julgar que seus executivos e funcionários são infensos a emoções ou que elas não afetam o desempenho da companhia. Somos movidos por raiva, alegrias, decepções, preocupações. Afinal, como dizia Peter Brucker – o pai da administração moderna –, nenhuma instituição pode sobreviver se precisar de gênios ou super-homens para a administrar. Ela deve estar organizada de forma a ser capaz de seguir em frente sob uma liderança composta de seres humanos medianos.

O que precisamos aprender é verificar o que motiva nossos comportamentos, nos aperfeiçoar e apoiar os demais membros da equipe corporativa. Não se trata de um projeto de responsabilidade do setor de Recursos Humanos, de psicóloga ou médico do trabalho, mas sim de um programa que requer o envolvimento da organização como um todo no estudo das emoções corporativas.

É hora de tratar as emoções para que possamos trabalhar em um ambiente psicologicamente mais saudável. Assim, haverá também melhor desempenho e melhor produtividade e lucro.

CEO da B2L Investimentos S.A. 

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