Futuro econômico

Opinião / 05/12/2014 - 07h50

(*) Roosevelt Fagundes 

Uma grande incerteza ronda o futuro econômico do Brasil para 2015. Com um país tecnicamente em recessão após resultados de crescimento negativo e a inflação em alta, o governo tem um trabalho e tanto para organizar a economia brasileira. Devemos e precisamos esperar cortes severos em alguns setores da máquina governamental. Começando pelo ajuste fiscal. O país trabalhou nos últimos anos com uma ampla expansão fiscal, com o aumento de gastos e redução de alíquotas. As várias desonerações feitas pelo governo nos últimos anos, como a do IPI de veículos, contribuíram para uma arrecadação menor, gerando assim o superávit primário baixo. Estudar uma maneira de reduzir despesas de custeio da máquina governamental é necessário para diminuir o endividamento público do país.

A inflação em alta é outro agravante que deve ser controlado. A meta inicial estava em torno dos 4,5%, mas, segundo dados do boletim Focus, a previsão para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) até o momento é de 6,4%. O governo tem o desafio de baixar a inflação, adotando políticas contracionistas.

O próximo ano será mesmo de “arrumação da casa”, para, quem sabe, até no 2° semestre o país voltar a crescer. Ainda conforme o relatório Focus, a economia brasileira crescerá apenas 0,27% em 2014. O ano terminará com retração e alguns agravantes, como juros e inflação em alta, baixa taxa de investimento e queda no emprego da indústria. O último resultado é reflexo do baixo nível de investimento na economia, cenário agravado por estoques altos, demanda interna menos robusta, restrição no crédito e baixo nível de confiança dos empresários na economia. Ou seja, um cenário nada vantajoso para gerar e produzir renda.

A tentativa do Banco Central em conter a inflação, com o aumento da Taxa Selic, pode ir na contramão dos investimentos produtivos no país. Para os empresários que desejam investir, buscando aumentar a capacidade de produção do Brasil, a alta da taxa básica de juros é um desestímulo. Como grande parte do consumo nacional é produto de financiamentos, a oferta de crédito ficará ainda mais cara, com juros mais altos e, consequentemente, as pessoas passarão a consumir menos. O cenário gera menor crescimento nas empresas, menor geração de empregos e o país cresce menos.

2015 será um ano de ajustes em vários setores da economia. Os resultados de 2014, em sua maioria, não foram nada positivos. O baixo nível de investimentos e desempenho da indústria, os altos índices de inflação nos últimos meses e a forte queda das exportações contribuíram para um crescimento bem abaixo da meta. Apesar de um cenário com muitos agravantes, as melhorias só serão possíveis a partir da agilidade e do reconhecimento do governo de que os resultados de 2014 não podem ser repetidos e devem ser corrigidos para o próximo ano.

(*) Diretor da Estruturart Capital
 

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