Tecnologia contra queimadas

Opinião / 14/12/2014 - 07h25
Carlos Alexandre Meireles do Nascimento*
 
As queimadas são um dos principais causadores de interrupções no fornecimento de energia elétrica e também são responsáveis por grande parte da destruição da flora e da fauna brasileira. De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Minas Gerais já registrou 9.348 focos de incêndio de janeiro até a segunda quinzena de outubro deste ano.
 
Somente em outubro, por exemplo, o Estado registrou 2.225 focos, contra 1.221 no mesmo período do ano passado, um aumento de 119%.
 
Ao atingir as linhas de transmissão e redes de distribuição, os incêndios podem provocar o rompimento dessas estruturas e de cabos condutores, a queima de postes e cruzetas de madeira e, consequentemente, a interrupção no fornecimento de energia elétrica.
 
Nesses casos, para religar os circuitos atingidos, é necessário recompor os materiais, atividade que exige um tempo maior para ser executada. 
 
Dessa forma, a Cemig tem trabalhado para reduzir as interrupções de energia causadas por incêndios investindo na utilização de sistemas para o monitoramento de áreas com risco de incêndio. 
 
Assim, além de garantir um serviço de qualidade, a empresa também contribui para a preservação de áreas de proteção ambiental e diminuição da poluição nos grandes centros.
 
A Cemig, em parceira com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e outras três empresas de base tecnológica no Estado (Axxiom, Enacom e DspArt), está criando um projeto para detectar focos de fumaça e de fogo, por meio de uma nova técnica de processamento em tempo real de imagens digitais disponibilizadas via web. A iniciativa tem financiamento da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), por meio do Programa de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D).
 
O sistema disponibilizará, em tempo real, as imagens e o processamento digital de forma autônoma, por meio de algoritmos de inteligência computacional para os internautas. 
 
Os usuários, por sua vez, poderão auxiliar na identificação precoce e precisa dos focos de fumaça, assim como na determinação da evolução dos focos de fogo. Dessa forma, será possível, por exemplo, acionar alarmes para as autoridades responsáveis, via web.
 
Assim, em um futuro próximo, áreas de preservação ambiental poderão ser supervisionadas em tempo real com uma ampla colaboração dos internautas. O objetivo é reduzir os registros de incêndio nos grandes centros urbanos e, para a Cemig, melhorar a qualidade dos serviços, por meio da redução das interrupções no fornecimento de energia elétrica causadas por incêndios próximos às suas instalações.
 
*Engenheiro de Tecnologia e Normalização da Cemig
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