Salas de espera abarrotadas e até seis horas para ser atendido. O drama vivido pelos pacientes com suspeita de dengue em Belo Horizonte não é exclusivo da rede pública. Nos Pronto-Atendimentos (PAs) de hospitais particulares e conveniados, a demanda aumentou até 65% este ano. Para driblar os problemas em função da explosão de casos, a maioria das unidades de saúde está contratando pessoal e utilizando ambulatórios para atendimento aos doentes. No entanto, nem sempre é possível realizar todas as consultas.

Segundo o presidente da Central dos Hospitais, Castinaldo Bastos Santos, os departamentos de urgência de grandes hospitais de BH chegaram a fechar temporariamente devido à superlotação. “ Todos os hospitais da região Centro-Sul já pararam em algum momento. Este surto pegou as autoridades e a sociedade em cheio”, lamentou.

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Castinaldo Bastos Santos afirma que o surto da doença pegou autoridades e a sociedade em cheio

Reforço

No Socor, hospital que Santos também dirige, a demanda de atendimento subiu 42%. O número de médicos saltou de 12 para 16. Três auxiliares técnicos e dois enfermeiros também foram contratados. Cadeiras para os pacientes foram instaladas nos corredores, mas não o suficiente para acomodar a todos. Foi o caso da dona de casa Solange Maria de Fátima, de 52 anos, que estava com sintomas de dengue. “Passei pela triagem e fui informada de que vai demorar. Como está muito cheio, o jeito é aguardar em pé até uma cadeira desocupar”, lamentou.

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Previsão era a de que Solange Maria fosse atendida em pelo menos três horas no Socor

No Felício Rocho, o volume de atendimentos cresceu 65% de março do ano passado para este mês. Segundo o coordenador do PA, Alexandre da Silveira Sete, 25% dos atendimentos são de pessoas diagnosticadas com dengue e que voltaram ao hospital por algum motivo.

Agendamento

Com o objetivo de desafogar a emergência da unidade de saúde, foi iniciado, nessa segunda (7), um sistema agendado de retorno. “Assim podemos dividir melhor as pessoas por horários”. Hoje, de acordo com Silveira Sete, cada paciente pode esperar até seis horas por atendimento: desde que chega ao hospital, recebe o soro e faz o testerápido.

De hora em hora, o próprio coordenador vai à sala de espera para informar aos pacientes sobre o motivo da demora. “A sala está sempre cheia. Tranquilizo as pessoas, explico que é por causa da dengue, e reforço a participação da sociedade no combate. As pessoas devem se conscientizar sobre a importância de eliminar os focos do mosquito”, enfatiza.

Nova logística

Para desafogar os hospitais próprios da Unimed-BH, a operadora desenvolveu uma estratégia diferente. Os pacientes com suspeita de dengue são recebidos nos três complexos da rede, mas são distribuídos para os pronto-atendimentos ou ambulatórios. Lá, já recebem hidratação logo que são acolhidos.

Cerca de mil pessoas são atendidas por dia somente no hospital próprio da rede, localizado no Santa Efigênia. “Cerca de 15% deste pessoal está com suspeita de dengue”, diz a gestora de Atenção à Saúde da Unimed-BH, Christiane Bretas.

Segundo ela, o número de casos de suspeita da doença aumentou cinco vezes nos últimos meses na rede. Christiane ressalta, ainda, que algumas unidades ambulatoriais que funcionavam apenas de segunda a sexta-feira passarão a dar atendimento aos finais de semana.

Para atender aos pacientes, ela afirma que houve ampliação do quadro de empregados do hospital. Treinamentos específicos para os médicos também foram ministrados. Mesmo assim, as salas de espera continuam cheias. “É o maior surto de dengue que Minas Gerais já viu. É um problema de saúde pública. Estamos sufocados, mas não chegamos a fechar o atendimento”, comenta Christiane.

Lifecenter

Por nota e sem informar números, a assessoria de imprensa do Lifecenter, também na região Centro-Sul de Belo Horizonte, informou que o quadro de funcionários hoje é o dobro do registrado no mesmo período do ano passado. “Novas contratações de técnicos e enfermeiros também foram realizadas para atender a demanda, assim como houve reforço na equipe de laboratório”, diz o texto.

Ainda conforme a nota, o hospital tem oferecido capacitações específicas sobre o diagnóstico e tratamento de dengue, zika e chikungunya. Em paralelo, o Lifecenter realiza uma campanha para conscientização de pacientes e funcionários com o objetivo de erradicar os focos do mosquito Aedes aegypti.