O deslizamento de terra no Morro da Forca, em Ouro Preto, na região Central de Minas Gerais, destruiu o casarão Solar Baeta Neves, construção colonial do século XIX que se encontrava no coração da cidade e embelezava o conjunto arquitetônico da Praça da Estação.

De acordo com informações do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), a obra foi erguida por uma tradicional família de comerciantes da região.

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Vista do Solar a partir da "curva do vento", décadade 30

O mais antigo registro sobre o imóvel indica que o terreno foi adquirido em 1890, pela família Baeta Neves, e edificado nos dois anos seguintes, às margens do Córrego do Funil, próximo à Estação Ferroviária, local que mais se desenvolvia na cidade, antes da transferência da capital para Belo Horizonte. 

solar bateta

Solar entre 1900 e 1930

A secretária municipal de Cultura e Turismo de Ouro Preto, Margareth Monteiro, mora nas proximidades do local e presenciou o deslizamento de terra. “Escutei um estrondo horroroso e fui correndo para ver o que tinha acontecido. Tá todo mundo consternado, a construção caiu como um papel”, lamentou.

Detalhando o local, Margareth Monteiro ainda disse que a construção colonial era toda de pau a pique. “Tinha diversos tipos de ladrilhos hidráulicos, o forro do salão principal era todo trabalhado em almofadas e o piso eram lâminas de madeiras sobrepostas em diferentes cores formando desenhos circulares”.

O casarão pertencia ao município e guardava alguns arquivos antigos da Secretaria de Patrimônio referentes a processos de construção. Ele estava interditado desde 2012, por conta do deslizamento de um trecho da encosta, comprometendo um anexo existente na parte posterior do lote.

Segundo a secretária, depois de resolver o problema da encosta que ainda está instável, a intenção da administração da cidade é reconstruir o casarão. “Vamos recuperar o que for possível. Vai ser um desafio, mas temos todos os traços e detalhes da construção. E vamos somar esforços para que isso seja possível”, finalizou.

Procurado pelo Hoje em Dia, o Iphan disse que "o escritório Técnico esteve no local poucos minutos após o desastre, e vem acompanhando o andamento da situação, por meio de apoio constante junto à prefeitura municipal e às demais entidades competentes". 

Deslizamento

O Coordenador de Defesa Civil da cidade, Neli Moutinho, havia avisado instantes antes que o local seria interditado para análise. E pediu para que as pessoas não transitassem na região devido ao risco. Ainda de acordo com o órgão, o solo estava encharcado por conta das fortes chuvas que atingiram a cidade nos últimos dias.

Segundo informações iniciais divulgadas pelo Corpo de Bombeiros, a vistoria na região já estava sendo realizada desde às 9h25. Não há vítimas e o local está isolado. 

Veja a galeria com detalhes da construção:

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