Os atendimentos na Unidade de Pronto-Atendiemtno (Upa) Centro-Sul e no Centro de Especialidades Médicas da Santa Casa, ambos no bairro Santa Efigênia, região leste da capital foram afetados pela greve dos coletivos nesta terça-feira (23).

O médico Danilo Santos, 28 anos, plantonista na Upa, explicou que o número de pessoas atendidas caiu na unidade de saúde. "As pessoas não têm como vir, e se chegam não sabem como vão embora", avaliou.

O plantonista disse ainda que até mesmo a equipe dele precisou se reorganizar para o trabalho desde o começo da greve, na segunda (22). "Vários colegas avisaram que chegariam atrasados. Quem conseguiu, usou veículo próprio ou veio de carona e, enquanto isso, vamos nos ajudando no plantão para não deixar ninguém sem atendimento", explicou.

Já na Santa Casa, o gerente operacional Andrelino Machado contou que a movimentação no Centro de Especialidades Médicas sofreu algumas alterações. "Por parte dos pacientes, não teve muita diferença. A maioria das consultas marcadas é para pessoas do interior, que chegam em veículos das prefeituras ou do Estado. Por outro lado, alguns médicos se atrasaram no decorrer do dia, e outros plantonistas se ajustaram para o atendimento", afirmou.

Reflexos 

A reportagem do Hoje em Dia encontrou novamente o Fabrício Brito, de 21 anos. Ontem, ele chegou ao ponto de ônibus por volta das 7h na avenida Cristiano Machado, altura do bairro Cidade Nova, região Nordeste da cidade, esperando pelo ônibus das 7h15. Sem sucesso, precisou pegar outro coletivo, mas conseguiu chegar no trabalho com cerca de duas horas de atraso.

"Ontem foi bem difícil, peguei outro ônibus e consegui chegar terminando o caminho andando", explica o jovem, que trabalha no bairro de Lourdes, região Centro-Sul de BH.

Se, por um lado, Fabrício demorou cerca de duas horas para embarcar na segunda, por outro, foram menos de 30 minutos de espera nesta terça-feira (23). "Ainda não tem ônibus, mas como já estava esperando, fui no primeiro que passou", frisou.

Reunião hoje

Após a audiência entre o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belo Horizonte (SetraBH) e o Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários de Belo Horizonte e Região (STTRBH) terminar sem acordo na tarde da segunda-feira (22), o desembargador Fernando Luiz Gonçalves Rios Neto agendou uma nova audiência para esta terça (23), às 14h30, e ainda solicitou a presença do município ou da BHTrans. 

A reunião de ontem, por meio de videoconferência no Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região (TRT-3), a ausência de representantes da prefeitura e da BHTrans causou incômodo entre as partes e ao Ministério Público do Trabalho, que participou da negociação.

No encontro, representantes do SetraBH solicitaram a suspensão da greve ao STTRBH durante o intervalo entre as audiências. Em resposta, o sindicato dos trabalhadores disse ser impossível contar com a adesão dos motoristas tendo em vista a ausência de propostas da organização patronal.

Leia mais:
Trabalhadores do metrô de BH podem entrar em estado de greve a partir de quinta
Das 7 estações, apenas a Vilarinho opera neste segundo dia de greve dos motoristas de ônibus em BH
Com a greve dos ônibus, BH tem trânsito caótico na manhã desta terça-feira