As mais de 10 toneladas de peixes encontrados mortos nessa terça-feira (29) no rio Paraopeba, na cidade de Juatuba, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, podem ter sido vítimas de intoxicação por amônia, segundo informou o presidente do Conselho Municipal de Desenvolvimento Ambiental (Codema), Heleno Maia. A informação, no entanto, ainda está pendente de confirmação, já que as necrópsias dos animais ainda não estão prontas.

De acordo com Maia, que é biólogo, os peixes foram encontrados após a faixa onde o rio Betim deságua no rio Paraopeba e já foi completamente descartada a relação entre as mortes e o rompimento da barragem em Brumadinho, que atingiu o Paraopeba. "Coletamos amostras de água e os corpos dos peixes e, na água, foi encontrada uma grande quantidade de amônia, que é bastante tóxica e tira a oxigenação da água", explicou.

Cadáveres de várias espécies diferentes fora encontrados a jusante do rio, e o que preocupou as equipes do Codema foi a presença de cascudos entre os mortos, já que se trata de um peixe bastante resistente. "Esse é mais um fator que nos leva a crer que a amônia foi responsável pelas mortes", afirmou.

Os peixes foram encontrados pela população ribeirinha de Juatuba e o Codema enviou equipes para verificar. Segundo Maia, a amônia veio do rio Betim e já existem entre os técnicos hipóteses sobre a origem do químico, mas o biólogo preferiu manter sigilo até que as apurações sejam concluídas. "Esperamos que o resultado das necropsias saia até 20h de hoje [quarta-feira, 30]".

Reincidência

O presidente do Codema ainda contou que esta não foi a primeira vez que os animais foram encontrados mortos no local. Há dois anos, mais ou menos a mesma quantidade de peixes foi intoxicada com amônia descartada por uma empresa que usou o produto para a limpeza de tanques. "O que nos surpreendeu na ocasião foi a morte de um surubim de 60kg, e foi confirmada que a causa da morte foi amônia descartada pela empresa", revelou.

Na época, o Codema e o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) elaboraram um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) de compensação ambiental e aplicaram uma multa à empresa.

Betim

Em nota, a Prefeitura de Betim informou que a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semmad) já está analisando a morte dos peixes. "Ainda que a competência para fiscalizar as questões do rio Paraopeba seja do Estado de Minas Gerais, por meio do Instituto Mineiro de Gestão das Águas (IGAM), a equipe de fiscalização da Semmad já foi acionada para que haja uma análise das possíveis causas, uma vez que o incidente aconteceu entre as divisas de Betim e Juatuba", se posicionou.

A Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) e o Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam) informaram que uma equipe da Superintendência de Fiscalização Ambiental da Semad fará uma vistoria no local.