Internos de uma clínica particular para dependentes químicos e pessoas em sofrimento mental em Montes Claros, no norte do estado, vivem em condições insalubres e precárias. As constatações foram feitas pela Polícia Civil (PC) e pelo Ministério Público de Minas Gerais (MP), que estiveram no local na manhã desta terça-feira (25) para investigar suspeita de maus tratos e cárcere privado denunciada por pacientes e familiares.

Conforme a Promotoria da Saúde, do Idoso e do Deficiente, as denúncias alegavam que os internos sofrem ameaças e agressões na instituição. Em operação nesta manhã, os policiais colheram provas e depoimentos dos funcionários da clínica. 

O estabelecimento já havia sido denunciado anteriormente no início do ano. Segundo a Polícia Civil, o proprietário da clínica já havia assinado um Termo de Ajustamento de Conduta com o Ministério Público. No entanto, novos relatos de maus tratos ocorreram após a assinatura. 

A investigação indica, segundo a Polícia Civil, que as famílias dos internos pagam valores mensais abusivos para usufruir da infraestrutura precária. O preço é fixo, avaliado de acordo com o poder aquisitivo dos clientes, e pode chegar a R$ 1.500 por pessoa. Serão apurados crimes de maus tratos por parte dos funcionários e do proprietário da clínica e cárcere privado.

Em vistoria, uma pistola foi apreendida na casa do dono da clínica. A PC ainda identificou que o proprietário tinha duas casas e oito veículos registrados no nome dele. O homem foi autuado em flagrante e encaminhado para a delegacia de plantão de Montes Claros, com fiança arbitrada no valor de R$15 mil. Os bens serão avaliados e podem ser bloqueados pelo MP.