A sexta-feira (14) mal começou e milhares de pessoas lotam a tradicional fila de distribuição de peixes, no bairro Lagoinha região Noroeste de Belo Horizonte. O ato solidário, que comemora, nesta Semana Santa, 26 anos, atrai gente da cidade inteira e até de municípios da Grande BH, que querem fazer um almoço especial para celebrar a Sexta-Feira da Paixão com a família.

Primeiro a chegar à rua Paquequer, onde as pessoas se juntam para aguardar o pescado, o aposentado Antônio Rodrigues Filho, 74 anos, esperou mais de 24 horas até que pudesse receber os quatro quilos de sardinhas - dois quilos a mais do que o restante das pessoas, um "brinde" por ter sido o primeiro. 

Morador de Sabará, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, ele chegou às 5h da última quinta-feira (13) para garantir a doação e foi preparado para não passar frio nem fome. O aposentado levou em um carrinho colchão, cobertor, água, comida e até uma sombrinha para se prevenir da chuva. "Ano passado também fui o primeiro da fila, mas acabei indo embora porque chouve muito. Desta vez, trouxe a sombrinha. Vou fazer peixe para a família toda", comemora.

Dobrando o quarteirão

A fila de pessoas que querem levar o peixe para casa não para de crescer e até dobra o quarteirão, alcançandoo o número 262 da avenida Pedro II.

Responsável pelo ato solidário, o empresário Afonso Teixeira não revela a quantidade de pescados que irá doar nem o número de senhas distribuídas na fila. Ele diz, porém, que tenta atender todo mundo. "A fila tem crescido todos os anos, e acompanho aumentando também a quantidade de peixe. O único número que falo é quantidade que cada um vai levar para casa: dois quilos. É uma satisfação muito grande e vale o esforço de manter a tradição. É um presente para a alma", diz.

doação de peixe

Antônio é o primeiro de uma fila enorme, que dobra o quarteirão e alcança a avenida Pedro II