Além da luta para estacionar nos centros urbanos das grandes cidades de Minas, uma outra batalha é travada nas ruas e avenidas. Flanelinhas disputam, em meio a atritos que invariavelmente resultam em agressões e até em mortes, o “domínio” das áreas públicas mais rentáveis em relação à vigilância e à lavagem de carros.

Nos últimos cinco anos, foram registradas pelo menos cinco mortes decorrentes de brigas pelo controle de pontos de atuação, segundo levantamento do Sindicato dos Trabalhadores, Lavadores, Guardadores e Manobristas de Carro de Minas Gerais (Sintralamac). Um dos casos ocorreu em março do ano passado, quando um flanelinha foi esfaqueado por um colega após discussão na avenida Augusto de Lima, no Centro de BH.

A Polícia Militar não tem dados oficiais sobre os crimes praticados entre a categoria.

O número real de vítimas é maior, segundo o presidente do sindicato, Martim dos Santos. Ele afirma que muitos casos acabam erroneamente relacionados ao tráfico de drogas, quando seriam desentendimentos entre os cuidadores de carros.

Toreros

A invasão de territórios é normalmente feita pelos chamados “toreros”. O apelido vem da gíria “chegar na tora”, ou seja, à força e repentinamente. “Praticamente todos os dias há alguma briga. Às vezes, isso resulta em facadas e outras agressões. Essas disputas ocorrem mais entre guardadores de carros sem registro na prefeitura”, diz Martim.

Regiões mais movimentadas são as mais visadas, como a Savassi ou a área hospitalar. Guardador registrado na prefeitura, Carlos Heleno Alves, de 43 anos, vive em estado de tensão permanente. Ele já teve o espaço onde atua “invadido” mais de dez vezes na rua Timbiras, próximo ao Fórum Lafaiete, no Barro Preto (região central). “Quando um torero vê o guardador registrado, acaba abandonando logo, pois a clientela não confia. Mas já precisei expulsar um”, disse Alves. Ele revela já ter atuado como torero na Savassi. “Era confusão todo o dia, principalmente em lugares de eventos”.

Outro flanelinha, de 42 anos, mas sem registro, ocupa um trecho da rua Juiz de Fora, no Barro Preto, há duas semanas. Ele relata que só ficou no local após ter certeza de não haver ninguém no ponto. “Ainda assim, vieram dois homens querendo briga, declarando a área como deles”.

Segundo a PM, para coibir a ação de flanelinhas sem registro, o policiamento é ostensivo. Quem se sentir extorquido deve acionar o 190.

Leia mais na Edição Digital