A dolorosa tristeza de perder três filhas de uma só vez foi ainda maior devido a breve despedida. Os pais, parentes e amigos de Aline Maria dos Santos, 20, Alice Efigênia dos Santos, 13, e Ana Flávia Rosa dos Santos, de 11 anos, que morreram afogadas no Rio Piranga foram enterradas na noite dessa segunda-feira (7) – no mesmo dia em que os corpos foram encontrados.

A tragédia ocorreu no domingo (8), entre Catas Altas da Noruega e Itaverava, na região Central de Minas, quando as meninas acompanhadas do namorado da irmã mais velha, de 17 anos, foram se banhar no rio. As irmãs são moradoras de uma grota chamada Paracatu, que pertence a Itaverava. O enterro das três irmãs precisou ser feito ainda nessa segunda, por volta das 22 horas, devido ao estado dos corpos. Elas foram enterradas no cemitério municipal de Itaverava.

Rafael Santos Cunha, namorado de Aline, foi quem contou aos policiais que a namorada estava com a irmã de 11 anos nas costas, quando deu um passo e se afogou. Ela gritou por socorro e o jovem tentou ajudá-la, mas não conseguiu, conforme os policiais. O adolescente pegou carona com um carro que passava pelo local e foi até o quartel da Polícia Militar em Lamim. Lá, ele contou aos militares sobre o ocorrido. Segundo o soldado Anderson Alderico Teles Lopes, o jovem estava com o corpo arranhado devido à tentativa de socorrer a namorada e as irmãs dela.

O policial contou que o jovem se afogou três vezes, mas conseguiu escapar. “Ele chegou desesperado e chorando muito. Acionamos o Corpo de Bombeiros e uma ambulância da cidade para ir até o local”, afirmou. Segundo ele, a localidade de Paracatu é distante e erma. O ponto onde os jovens foram nadar não é, de acordo com ele, comumente usado por banhistas.

O Corpo de Bombeiros de Conselheiro Lafaiete chegou até a região por volta das 19h do domingo. As equipes fizeram buscas pelas irmãs, mas não houve sucesso. Com o entardecer, eles precisaram interromper as buscas devido à falta de luminosidade. As buscas haviam sido retomadas na manhã desta segunda-feira e, por volta das 10h, os corpos das três irmãs foram encontrados. ( *) Com informações de Jefferson Delbem

Minientrevista: Rafael Santos Cunha, 17 anos, namorado de uma das vítimas

“Fiz de tudo para ajudá-las, mas não consegui. Não sei mais o que fazer”

Como vocês foram parar naquele ponto do rio?

O domingo estava ótimo e queríamos nadar em um lugar diferente. A ideia foi minha e as meninas concordaram. Mas me sinto culpado por tê-las levado àquele local.

Em que momento as irmãs sumiram nas águas?

A Aline escorregou e tentei segurá-la, mas a correnteza era forte. Como todas estavam de mãos dadas, ficou difícil. Elas também tentaram me abraçar, mas não conseguiram. Logo desapareceram e eu também quase me afoguei.

Um dia após a tragédia, o que vem à sua cabeça?
Fiz de tudo para ajudá-las, mas não consegui. Não sei mais o que fazer.

Atualizada às 11h44.