Pelo menos 534 crianças de até 9 anos testam positivo para Covid por dia em Minas. A média registrada em janeiro é a maior desde o início da pandemia. A maioria dos casos é formada por pacientes com quadros leves da doença. No entanto, as hospitalizações infantis, apesar de baixas, também vem crescendo. As constatações escancaram, mais uma vez, a urgência da vacinação dos grupos já convocados. 

O contágio acelerado é reflexo da circulação da variante Ômicron. Na última sexta-feira, 104 pacientes estavam internados em leitos pediátricos de terapia intensiva do território mineiro. Para o epidemiologista e mestre em infectologia José Geraldo Ribeiro Leite, a infecção preocupa por conta de três fatores: a síndrome respiratória aguda grave, a Covid prolongada e a SIM-P, síndrome rara ligada ao coronavírus. 

“Muitas pessoas, incluindo as crianças, demoram meses a recuperar a saúde plena. Essas doenças que comprometem o estado geral das crianças são preocupantes, porque abrem caminho para outras no futuro. Além de estarem em desenvolvimento, qualquer alteração desse tipo pode prejudicá-las”, afirmou o médico.

Quase 15 mil crianças de até 9 anos ficaram doentes apenas neste mês. Número é 57% maior em relação ao pico anterior, de abril do ano passado, com 9,5 mil infecções. A curva ascendente, assim como nos adultos, é explicada pela variante Ômicron

O especialista reforçou o alerta para a vacinação. Em BH, a adesão ainda tem sido baixa. Tanto que, novas repescagens para imunizar crianças de 9, 10 e 11 anos estão previstas ao longo desta semana. “Temos duas vacinas seguras licenciadas no Brasil, e os pais deveriam estar correndo para vacinar os seus filhos”. 

Na capital, a volta às aulas do Ensino Fundamental foi adiada para 14 de fevereiro com o objetivo de ter tempo hábil maior para imunizar os estudantes de 5 a 11 anos. Na rede estadual, porém, a retomada está mantida para o dia 7.

Na semana passada, o secretário de Estado de Saúde, Fábio Baccheretti, também cobrou a colaboração dos pais. Segundo ele, Minas espera proteger 1,8 milhão meninos e meninas até o fim de fevereiro. 

No entanto, a meta depende das famílias. “Isso só vai acontecer se entenderem que a vacina é segura e a única saída que nós temos para a pandemia”.

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