Trabalhadores dos hospitais públicos estaduais da rede Fundação Hospitalar de Minas Gerais (Fhemig) decidiram entrar em greve por tempo indeterminado. A decisão foi anunciada no fim da tarde desta sexta-feira (28), após assembleia da categoria que foi realizada na porta do Hospital João XXIII, no bairro Santa Efigênia, na região Leste, em BH.

Segundo Carlos Augusto dos Passos Martins, presidente do Sindicato dos Profissionais de Enfermagem, dos Analistas de Gestão, dos Técnicos Operacionais de Saúde e dos Auxiliares de Apoio à Saúde (Sindpros) e da Associação dos Trabalhadores dos Hospitais Públicos de Minas Gerais (Asthemg), os servidores devem paralisar as atividades a partir das sete horas da manhã do próximo dia 3, na troca de turno.

O sindicalista explica que a rede Fhemig tem no estado em torno de 12 mil funcionários, entre contratados e efetivos. A greve só vai atingir os servidores efetivos e de categorias não médicas, como enfermeiros, técnicos de enfermagem, técnicos de laboratório, de Raio X, funcionários da área administrativa, psicólogos e assistentes sociais. Esses profissionais representam em torno de 60% dos trabalhadores, com exceção de médicos e contratados. 

Carlos Augusto Martins afirma que as entidades que representam as categorias profissionais vêm tentando sem sucesso uma reunião com o Governo para discutir a situação dos hospitais. No documento enviado à Fundação, na segunda-feira (24), sobre a realização da assembleia que deliberaria sobre a greve, o Sindpros aponta vários problemas nas unidades de saúde. 

No Hospital João XXIII, pacientes estariam aguardando vagas para internação nos corredores, leitos foram desativados no Hospital Maria Amélia Lins, que servia de suporte para o João XXIII. O bloco cirúrgico do pronto socorro funcionaria com as portas abertas, porque o ar condicionado está estragado. No Hospital Infantil João Paulo II estariam faltando profissionais suficientes e haveria superlotação. No Hospital Júlia Kubistchek, mesmo com alta de casos de COVID, as vagas para pacientes com COVID teriam sido fechadas por falta de profissionais. 

De acordo com o presidente do sindicato, como não houve manifestação do governo para abertura de negociação, a assembleia deliberou pela greve. A escala mínima vai variar entre 30 e 50% das equipes trabalhando, de acordo com a demanda e a gravidade da situação dos pacientes. Desta forma, áreas como blocos cirúrgicos e setores de urgência e emergência terão prioridade de funcionamento.

A greve, segundo Martins, será de “comparecimento”:todos os servidores irão para o local de trabalho, vão conferir as escalas e, de acordo com a necessidade da unidade de saúde será definido o percentual de quem será designado para o atendimento. O restante irá se concentrar na porta do Hospital de Pronto Socorro, para participar de alguma atividade.

“Nosso desejo é que o governo manifeste a intenção de promover uma reunião para evitar a paralisação das atividades. Queremos que o governo nos chame e acene com uma proposta.” - explica Carlos Augusto Passos Martins.

Em nota, a Fhemig informa que mantém diálogo constante com os servidores, sempre atenta às suas reivindicações e demandas e que não foi notificada sobre a greve.

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