Estudos para a produção de um soro anti-Covid-19 que estava em desenvolvimento pela Fundação Ezequiel Dias (Funed) podem ser interrompidos. Isso porque, de acordo com a fundação, experimentos feitos em hasmters não apresentaram os resultados esperados no combate à infecção pelo coronavírus. 

Segundo a Funed, a pesquisa apresentou excelentes resultados in vitro, neutralizando a replicação do coronavírus em ensaios de placas com células infectadas. No entanto, os ensaios pré-clínicos, que utilizaram os animais infectados, não apresentaram os resultados esperados, e os pesquisadores não observaram proteção significativa contra a infecção da Covid-19, comparado aos animais não tratados.  

A fundação ressaltou que os ensaios pré-clínicos antecedem os testes com humanos, ou seja, na próxima etapa, os experimentos seriam feitos em humanos. Visto isso, sem o resultado esperado no experimento com animais, a pesquisa não pode avançar para o estudo em humanos.

Ainda de acordo com a Funed, no momento, está sendo avaliada a possibilidade de realização de novos experimentos para entender melhor esses resultados, o que pode contribuir também para uma “melhor compreensão sobre a patogênese da Covid-19 no que se refere ao tratamento com anticorpos policlonais (gerados contra diferentes proteínas do vírus)”, declarou.

A Funed também ressaltou que vem avaliando alternativas e trabalhando na consolidação do conhecimento científico gerado até o momento com essa pesquisa, o que também é de suma importância para a comunidade científica e população em geral.

Soro anti-Covid

O soro para o tratamento da Covid-19 em desenvolvimento na Funed é feito a partir de anticorpos de cavalos imunizados pelo coronavírus inativado. Desde o princípio da pesquisa, cientistas ressaltaram que o uso do soro seria restrito aos hospitais, aplicado sob prescrição médica.

A fase de estudos pré-clínicos, em animais, serve para validar a segurança e eficácia do soro, o que não aconteceu, até o momento, na pesquisa da Funed.

Na época em que o soro começou a ser desenvolvido, em novembro de 2020, nenhuma vacina tinha sido aprovada no Brasil Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

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