Os servidores da rede pública de ensino de Belo Horizonte querem que a volta às aulas seja adiada. A previsão é que as escolas voltem a funcionar normalmente no dia 3 de fevereiro, segundo o sindicato da categoria.

Atualmente, 27 unidades estão abertas apenas para a vacinação de crianças e adolescentes contra a Covid-19.

Atualmente, segundo a PBH, a Rede Municipal de Educação de Belo Horizonte é composta por com 323 escolas próprias, sendo 145 Escolas Municipais de Educação Infantil (Emeis) e 178 Escolas Municipais de Ensino Fundamental (Emefs), atendendo a aproximadamente 168.983 estudantes na Capital, em todas as modalidades da Educação Básica: Educação Infantil, Ensino Fundamental, Ensino Médio (uma escola), Ensino Especial (três escolas) e Educação de Jovens e adultos (EJA). Essas escolas estão distribuídas nas nove regionais administrativas da cidade. Além disso, de acordo com a secretaria municipal de Educação  de mais de 27 mil crianças são atendidas na rede parceira de educação infantil, que são as creches conveniadas com a Prefeitura na capital, o que eleva para cerca de 200 mil alunos nas redes municipal e parceira.

De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Rede Pública Municipal de Belo Horizonte (Sind-Rede), mesmo com as dificuldades do avanço na vacinação das crianças, a disparada de casos de Covid-19, o sufocamento do sistema de saúde, com índices de enfermaria e UTIs no vermelho e o esgotamento de vagas pediátricas no Hospital João Paulo II, a PBH não anunciou qualquer restrição sobre a volta às aulas nas escolas municipais da capital.

Em nota, a entidade alertou que, com a variante Ômicron, o número de infecções e internações também tem crescido entre os pequenos. O sindicato lembrou que, no domingo (23), o Hospital Infantil João Paulo II anunciou que estava com 100% dos leitos ocupados e que, por isso, teria que priorizar apenas os casos graves relacionados aos sintomas de síndrome respiratória. Por não estarem vacinadas, as crianças passam a fazer parte dos grupos mais vulneráveis para a doença, avalia a entidade.

Ainda de acordo com a avaliação do sindicato dos servidores da educação, a vacinação infantil começou no dia 14 de janeiro e o número de doses compradas pelo Ministério da Saúde é insuficiente. Segundo os servidores, em Belo Horizonte, apenas 22% das crianças de 5 a 11 anos com comorbidades foram vacinadas. Entre as crianças sem comorbidades, a vacinação não conseguiu cobrir completamente a faixa dos 11 anos. 

A imunização de crianças de 5 a 17 anos só foi possível a partir desta segunda-feira (24), com a aprovação da Coronavac para o uso na capital.

Endereçada à PBH, o sindicato sugeriu algumas medidas para uma volta às aulas de forma segura:

- Atrasar o retorno presencial das atividades letivas;
- Acelerar a vacinação das crianças;
- Tornar obrigatória a apresentação do cartão de vacinação de estudantes e trabalhadores;
- Ter uma ação direcionada para os que se negarem a vacinar;
- Garantir máscaras N95 ou PFF2 aos trabalhadores para atuarem presencialmente;
- Instituir um plano de testagem por amostragem de forma regular, para que haja de fato o controle da evolução pandêmica. 

Procurada pela reportagem, a PBH respondeu que "as reivindicações do sindicato de servidores (...) já estavam na pauta da reunião do Comitê de Enfrentamento à Covid-19, que será realizada nesta quarta-feira (26)." E que só vai comentar o assunto após a reunião.

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