Esta quinta-feira (20) pode ser a última etapa para a decisão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária que vai permitir que as crianças brasileiras tenham mais vacinas disponíveis contra a Covid-19. A Diretoria Colegiada da Anvisa faz uma Reunião Extraordinária Pública pela internet para discutir a aplicação do imunizante do Butantan em crianças a partir de três anos.

Os estudos clínicos de vacinas são conduzidos pelos laboratórios farmacêuticos e por instituições de pesquisa. Como agência reguladora, a Anvisa é que define a regulamentação do setor e avalia os processos e dados recebidos, do ponto de vista de sua comprovação de qualidade, eficácia e segurança. 

A manifestação técnica nesta quinta-feira (19) deve responder ao pedido do Instituto Butantan para alterar as condições autorizadas para uso emergencial da vacina Coronavac, ampliando o seu uso para a população pediátrica.

Vacinas autorizadas no Brasil

Atualmente, segundo a agência, existem quatro formas para uma vacina contra Covid-19 ser disponibilizada no país: registro, uso emergencial, importação excepcional ou pelo consórcio Covax Facility.

A Coronavac, que usa tecnologia de antígeno do vírus inativado, teve uso emergencial aprovado pela Anvisa no dia 17 de janeiro do ano passado. As primeiras seis milhões de doses da Coronavac foram importadas diretamente da China. Em 22/1 do mesmo ano, a Agência autorizou o segundo pedido para uso emergencial da CoronaVac.

A Janssen também recebeu autorização para uso emergencial; a Astrazeneca e a Pfizer tiveram registro concedido no país também no ano passado. Mas, atualmente, esta última é a única entre as vacinas autorizadas no Brasil com indicação para menores de 18 anos. E o imunizante Pfizer, que tem tecnologia de RNA mensageiro, começou a ser aplicado em crianças entre 11 e 5 anos em BH no último sábado (15) em postos de saúde e a partir desta segunda (17) também em algumas escolas.   

Perto de uma decisão

A solicitação do Butantan de indicação da CoronaVac para crianças e adolescentes na faixa de 3 a 17 anos já vem sendo discutida pela Anvisa, que fez outra reunião na última quinta-feira (13). 

O encontro on-line reuniu especialistas da Agência, do Instituto Butantan, pesquisadores chilenos, técnicos do laboratório Sinovac China e representantes da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), do Departamento de Infectologia da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), da Sociedade Brasileira de Imunologia (SBI) e da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco).

Técnicos e pesquisadores receberam dados de pesquisas e estudos feitos pelo governo do Chile durante a aplicação da vacina CoronaVac em crianças e adolescentes naquele país. Agora, especialistas da Agência continuarão a analisar o pedido de uso emergencial da vacina CoronaVac para crianças. E o relatório da área técnica deve ser votado na reunião extraordinária da Diretoria Colegiada da Anvisa.

Doses reservadas

O Butantan, produtor da CoronaVac no Brasil, há 15 milhões de doses reservadas para a população pediátrica, caso o uso do imunizante seja autorizado pela Anvisa, informou o presidente do instituto, Dimas Covas, durante coletiva de imprensa do governo de São Paulo nesta quarta (19) no Palácio dos Bandeirantes. Segundo ele, uma das vantagens da CoronaVac é que o esquema vacinal usado em crianças mundo afora é o mesmo dos adultos, ou seja, duas doses com intervalo de 28 dias entre elas.

“A vacinação de crianças é um ponto mais que relevante nesse momento em que observamos pelos gráficos apresentados uma demanda evolutiva de internações de crianças. Isso é um fenômeno de deslocamento epidemiológico, quando se vacina os mais idosos, a pandemia se desloca para os não vacinados”, afirmou o presidente do Instituto.

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