Os órgãos responsáveis pelo patrimônio histórico e cultural se movimentam para analisar o impacto das fortes chuvas que assolam Minas Gerais. A preocupação se intensifica após o desabamento de um casarão do século XIX, em decorrência de um severo deslizamento de terra na manhã desta quinta-feira (13) em Ouro Preto, região Central de Minas.

O Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico (Iepha-MG) informou que foi criado um grupo de trabalho interno para levantamento, mapeamento e planejamento dos impactos causados pelas chuvas no patrimônio cultural do Estado.

De acordo com o Iepha-MG, serão convidados a integrar o grupo autoridades técnicas de órgãos como o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Defesa Civil e Corpo de Bombeiros.

Também no Estado, a Associação de Cidades Históricas de Minas Gerais busca apoio junto ao governo. Na manhã de sexta-feira (14), o prefeito de Itapecerica e presidente da associação, Wirley Rodrigues Reis (PHS), vai se reunir com o secretário de Cultura e Turismo, Leônidas Oliveira.

Na pauta da reunião está a fiscalização do patrimônio histórico para evitar tragédias como a de Ouro Preto, a captação de verbas e a solicitação de um encontro com o governador Romeu Zema (Novo).

Em esfera nacional, o Iphan lamentou o ocorrido na cidade histórica de Ouro Preto e informou que acompanha o andamento da situação por meio de contato com a prefeitura municipal e demais entidades competentes. Nenhuma ação englobando outras cidades históricas mineiras foi anunciada.

Na manhã desta quinta-feira (13), a superintendente do Iphan, Débora Maria Ramos do Nascimento França, esteve em Congonhas coordenando uma vistoria. A visita buscava uma solução definitiva para um problema de infiltração em uma das capelas do Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, Patrimônio da Humanidade pela Unesco, que tinha sido reparada temporariamente.

Embora tenham anunciado uma agenda de trabalhos para analisar os impactos das chuvas no patrimônio histórico mineiro, nenhum dos órgãos ouvidos pela reportagem citou um mapeamento de estruturas desta natureza em áreas de risco ou em situação de vulnerabilidade.

Para o historiador José Arcanjo Bouzas, o relevo e as características geológicas de Ouro Preto a evidenciam entre as cidades históricas em relação ao risco de eventos como o desta quinta.

“Ouro Preto é o maior problema. Pela própria história da formação da cidade, com muitos casarões, mas também por conta do relevo. Várias das construções estão em encostas, próximas a barrancos”, comenta. O próprio prefeito da cidade chegou a afirmar que o deslizamento era esperado.

Bouzas lamenta a situação do Estado diante das chuvas que já deixaram, ao menos, 25 vítimas no Estado

“É muito triste que as cidades sofram tanto com esse período chuvoso. Além do risco para as pessoas, que perdem seus bens e correm perigo, vai se perdendo também nossa história. Se não cuidarmos do patrimônio, aos poucos os lugares vão se caracterizando e as cidades históricas são fundamentais para contar a trajetória de Minas e do Brasil”, afirma.

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