Nesta quarta-feira (12), Minas teve recorde de casos de Covid-19 em 24 horas, com 18.153 notificações. Antes, o maior registro em um dia havia ocorrido em abril de 2021, no pico da doença, com 16.479 doentes.

O crescimento das infecções pode ser entendido como uma nova onda do coronavírus no país, segundo o infectologista Estêvão Urbano, um dos quatro integrantes do Comitê de Enfrentamento à Pandemia de Covid-19 em BH.

O aumento expressivo seria resultado das aglomerações durante as festas de fim de ano. "Já se sabia que a gente estava numa nova onda de Covid-19. Ela começou há 15 dias", afirma o especialista.

Conforme o Hoje em Dia mostrou, a piora no cenário já era esperada devido ao impacto do Ano Novo e circulação da Ômicron. A variante, segundo o médico, já responde pela maior parte dos casos da doença, e deve aumentar ainda mais as notificações, ultrapassando outras cepas, como a Delta, que vinha prevalecendo até então.

"Estamos numa onda de infecção maior, mas que não é tão grave quanto as outras devido à vacinação, que ajuda a evitar os casos mais graves da doença", afirma Urbano.

A reportagem entrou em contato com a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais e ainda não recebeu uma resposta.

Em BH
Questionada sobre o impacto em BH, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) afirma que "monitora diariamente os números epidemiológicos e assistenciais da doença no município e qualquer agravamento que comprometa a capacidade de atendimento será tratado da forma devida, com o objetivo de preservar vidas".

A SMS lembra que o aumento na demanda por atendimento fez com que a PBH ampliasse o horário de nove centros de saúde, um em cada regional da capital,  para receber pacientes com sintomas respiratórios leves. "Além disso, foi reativado o serviço de teleconsulta para pessoas com sintomas respiratórios", diz a secretaria.

Os leitos de enfermaria destinados a pessoas infectadas pelo coronavírus também estão sendo abertos conforme os indicadores da doença se elevam. Conforma a SMS, em 4 de janeiro eram 220 leitos e, hoje já são 355.

Vacinação de crianças
Outra forma de amenizar os efeitos da nova onda de Covid-19, segundo o infectologista Estêvão Urbano, é o investimento urgente na vacinação infantil. "As crianças, além de também adoecerem, podem levar a doença para os familiares, em especial para os mais velhos".

Com o retorno das aulas presenciais, o risco de contágio é ainda mais preocupante, em especial com a presença da Ômicrom, que é mais transmissível, alerta o especialista.

O médico acredita que a elevação no número de casos de Covid pode durar mais dois meses. "Pode ser que os casos continuem crescendo até março deste ano".

Para evitar a propagação da doença, a Prefeitura de BH recomenda as seguintes medidas de prevenção:

  • Lavar as mãos com água e sabão por 40 a 60 segundos ou friccionar usando álcool em gel 70% durante 20 a 30 segundos
  • Ao espirrar ou tossir, cobrir nariz e boca com o braço na dobra do cotovelo ou com lenço descartável
  • Não tocar olhos, nariz e boca com as mãos sem higienizá-las
  • Não compartilhar objetos pessoais, como talheres, toalhas, pratos e copos
  • Evitar aglomerações e locais fechados. Manter medidas de distanciamento social e usar máscara, bem ajustada ao rosto, cobrindo o nariz e a boca, em locais públicos
  • Higienizar as mãos com álcool 70% antes e após o manuseio das máscaras, não tocar na parte externa, retirar pelos elásticos. Trocar a máscara conforme cada tipo: de tecido não profissional a cada duas horas; cirúrgica a cada quatrro horas; N95, conforme orientação do fabricante
  • Manter os ambientes bem ventilados, com janelas abertas e evitar o uso de ventiladores e ar condicionado
  • Complete o esquema vacinal, ou seja, tome todas as doses recomendadas para alcançar a proteção e ficar imunizado contra a Covid-19

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