O aumento no número de casos de Covid-19 e o surto de gripe fizeram a ocupação de leitos disparar em Montes Claros. Em apenas uma semana, a taxa subiu de 20% – patamar em que ficou praticamente todo o mês de dezembro – para 70% nesta quarta-feira (5).

Ontem também o município registrou uma morte por coronavírus, após 30 dias sem esse tipo de ocorrência. Segundo a secretária Municipal de Saúde, Dulce Pimenta, esse já é o resultado das festas e viagens de fim de ano, do surto de gripe registrado no país e do relaxamento da população com os cuidados de prevenção.

“Ainda não é hora de abrir mão dos cuidados. Ainda estamos em plena pandemia e com o agravante do surto grande de gripe no país. Com isso, o sistema público de saúde fica sobrecarregado”, alerta a gestora em entrevista à TV local.

Tanto hospitais quanto unidades de pronto-atendimento e postos de saúde estão congestionados. Para tentar amenizar a superlotação, a prefeitura ampliou o horário de funcionamento de unidades básicas de saúde, de 7h30 às 19h30 (veja lista no quadro).

Além disso, quatro unidades estão funcionando com plantão noturno, das 18h às 22h: Santos Reis, Village do Lago, Esplanada e Maracanã.

A orientação da Secretaria Municipal de Saúde é para que as pessoas continuem mantendo distanciamento social, que evitem aglomerações e lugares fechados e façam uso da máscara e higienizem as mãos.

Sintomas
Os sintomas da Covid e da gripe pelo vírus H3N2 são semelhantes. Por isso, é necessário procurar atendimento médico e, na maioria das vezes, realizar o teste PCR.

A engenheira Bruna Lima, mãe de duas crianças, de 3 anos e de 5 meses, passou pelo susto ao perceber a filha mais nova com sintomas gripais. Procurou o pronto-socorro de um hospital, mas não conseguiu atendimento adequado. Voltou para casa e buscou um atendimento particular.

“Só fiquei mais tranquila depois que a pediatra descartou Covid, mas continuo atenta. O pronto-socorro estava lotado. Preferi não arriscar”, diz Bruna.

Sobrecarga
Na última quinta-feira (30), Montes Claros registrava um índice de ocupação de leitos clínicos geral (Covid e não-Covid) de 116%. A de UTI estava em 65%. Nesta quarta-feira, o primeiro índice se manteve e o segundo passou para 73%.

A situação mais crítica era na Santa Casa (156% e 70%, respectivamente, em 30/12; e 134% e 70% ontem); Aroldo Tourinho (111% e 72% no dia 30; 121% e 88% ontem) e no Hospital Universitário Clemente de Faria (93% e 47% na semana passada; 121% e 59% ontem).

“Nossa rede de assistência é limitada. Diante do aumento da demanda, ampliamos plantão noturno nas unidades básicas de saúde e todas as demais estão com portas abertas para o atendimento clínico”, ressalta Dulce Pimenta.

Segundo ela, é imprescindível que a população mantenha os cuidados – usar máscara, manter o distanciamento social e higienizar as mãos – e se vacinar contra a Covid.

(*) Com informações de Márcia Vieira e Larissa Durães

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