As estradas mineiras recebem grande movimento durante as festas de fim de ano. Para o período que compreende o Natal e o Réveillon, a rodoviária de BH espera uma circulação de mais de 400 mil pessoas e a Polícia Militar Rodoviária trabalha com efetivo completo. Em meio a esse cenário, os Anjos do Asfalto trabalham voluntariamente para ajudar a socorrer vítimas de acidentes em trecho da BR-381.

O trecho entre Belo Horizonte e João Monlevade da BR-381, conhecida como a Rodovia da Morte, é onde atua a ONG Anjos do Asfalto há mais de 16 anos. A organização faz plantões no trajeto aos domingos e estará à postos, nesse réveillon, no dia 2.

“A gente atua geralmente aos domingos e também nos sábados e feriados, quando temos pessoas disponíveis. Nesse período é complicado, porque as pessoas estão com pressa, ansiosas para o feriado”, afirma o presidente da ONG, Geraldo Assis, de 53 anos.

Segundo Geraldo, atualmente o grupo é formado por 36 pessoas, a maioria profissionais de saúde. Para ingressar é necessário passar pelo treinamento e ter experiência com primeiros socorros.

O atual presidente da organização é um dos integrantes que não trabalha na área da saúde. Empresário do ramo de transportes e publicidade, ele conta que decidiu entrar para o grupo ao presenciar um acidente na rodovia.

“Eu tinha uma revista na época, então desci e fotografei a ação dos Anjos do Asfalto. Como fui caminhoneiro, sei como é a realidade nas estradas. Decidi então fazer os cursos e entrar para o grupo”, conta.

Os Anjos do Asfalto atuam de forma complementar às forças oficiais. Eles prestam os primeiros atendimentos a vítimas de acidentes quando chegam antes ao local e auxiliam bombeiros e policiais no atendimento e com informações sobre o estado de saúde dos envolvidos.

Além da 381
O trabalho de socorro à acidentes na rodovia é a função central dos Anjos do Asfalto, mas a organização não se limita à atuação na BR-381.

Geraldo conta que o grupo está regularmente envolvido em ações sociais e de resgate, como a mitigação de danos em ocorrências envolvendo as chuvas na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

Tragédias recentes como o rompimento das barragens da Samarco em Mariana em 2015 e da Vale em Brumadinho em 2019 contaram com a participação dos Anjos do Asfalto nas ações de resgate.

Geraldo Assis tenta salvar vaca após rompimento de barragem em Brumadinho

Geraldo Assis no trabalho de resgate de uma vaca após rompimento da barragem em Brumadinho

“É difícil. Eu que não sou da área da saúde, às vezes fico impactado. Quando fui levar oxigênio em Manaus fiquei o mês todo abalado”, conta Geraldo, relembrando a ação da ONG na capital amazonense durante o ponto mais alto da crise no atendimento médico na pandemia.

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