Belo Horizonte precisa de mais de 500 médicos para atuar na rede pública, sendo 158 apenas nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), que enfrentam problemas diários de superlotação. Uma reunião para tratar do assunto está prevista para essa quarta-feira (29) entre o Sindicato dos Médicos de Minas Gerais (Sindmed-MG) e a prefeitura.

Segundo a categoria, sobram motivos para o déficit. Dentre eles, salários abaixo do que é praticado em outras cidades, sobrecarga de trabalho, hora extra, demora em convocar os aprovados em um concurso e até questões relacionadas à violência, com profissionais recebendo ameaças devido à demora nos atendimentos.   

"A reclamação tem sido intensa. Algumas unidades da região Oeste, por exemplo, só estão marcando consultas para daqui mais de um mês. A percepção das pessoas é que não há médicos, e que o serviço não vem sendo entregue com qualidade", afirma o conselheiro municipal de saúde de BH, Ricardo Nunes. 

Diretor do Sindicato dos Médicos de Minas Gerais (Sinmed-MG), André Cristiano dos Santos aponta ainda que as dificuldades se transformaram em um ciclo vicioso, envolvendo a insatisfação dos profissionais e, consequentemente, ineficácia do atendimento. 

"Nós temos problemas de escalas desfalcadas, que foram admitidas inclusive pelo secretário de saúde. Ela sobrecarrega os profissionais em atendimento. O grande número de pacientes causa demora, que por sua vez causa insatisfação, muitas vezes desencadeando em situações de violência", explica.

O médico reforça que o processo de contratação é outro problema. "Eles são contratados, e não concursados. Por isso, o concurso público é uma solução, mas os aprovados na PBH serão chamados só a partir de fevereiro", lamenta. Ele ainda acrescenta que muitos desistem do trabalho ao ver ofertas com melhores condições de trabalho e pagamento na Grande BH e no interior do Estado.

Para tentar suprir a falta de médicos, profissionais ainda assumiram trabalho em hora extra. Entretanto, segundo o diretor do sindicato, a situação se tornou mais um problema. "Profissionais aceitaram passar do horário desde setembro, mas ainda não receberam. Eles ainda se deparam com problemas na rede de computadores e até na estrutura física das unidades. Tudo isso afasta o médico do trabalho na prefeitura", afirma.

Em nota, a prefeitura de BH afirmou que "tem empreendido todos os esforços para recompor as equipes médicas, de forma a garantir um atendimento mais ágil à população". O executivo reforça que os casos mais leves podem ser tratados nos centros de saúde, e não nas UPAs.

Sobre a falta de profissionais, a PBH explicou que, "atualmente, das 536 vagas em aberto na pasta, 158 são para a rede de urgência, que engloba as UPAs. A expectativa é que com o concurso sendo homologado em janeiro, os profissionais médicos sejam empossados com prioridade em fevereiro". O órgão ainda reforçou que mantém ativo um banco de currículos para contratação imediata de médicos. O cadastro pode ser feito no site da prefeitura.

Em relação aos problemas de segurança, "as unidades de saúde são monitoradas pelo Centro Integrado de Operações de Belo Horizonte (COP-BH) graças à instalação de 1.322 câmeras em 364 equipamentos de saúde. Os locais são monitorados 7 dias por semana, 24h", afirmou a PBH.

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