As incertezas sobre o início da vacinação de crianças contra a Covid-19 estão sendo duramente criticadas por especialistas. Nessa quinta-feira (23), o Ministério da Saúde abriu uma consulta pública sobre o tema que, segundo a pasta, tem o objetivo de "informar e conhecer as dúvidas da sociedade científica e da população". 

A imunização e a compra das doses para o grupo, de 5 a 11 anos, vem sendo adiada pelo governo federal mesmo após aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Além da consulta, o Ministério da Saúde também prevê que, para autorizar a vacinação, seja exigida prescrição médica e autorização dos pais ou responsáveis, mediante assinatura de um termo. 

O infectologista e membro do Comitê de Enfrentamento à Covid em Belo Horizonte, Unaí Tupinambás, lamentou as medidas nesta sexta-feira (24). Segundo o especialista, a postura coloca a população em risco. 

“A pasta deveria zelar pela saúde da população brasileira, mas está jogando contra. A Anvisa, um órgão técnico, já aprovou. A câmara técnica, que tem representantes de várias sociedades científicas brasileiras, também aprovou. Você colocar consulta pública para um tema científico é deixar que crianças se contaminem”, disse, em vídeo enviado ao Hoje em Dia.

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O médico ainda rebateu a declaração do ministro da Saúde Marcelo Queiroga, que chegou a dizer que a morte de crianças por Covid estaria dentro de um patamar aceitável. 

“Se ele acha que 1.500, 1.700 mortes é pouco, não sei, mas nenhuma morte de criança é aceitável por uma doença imunoprevenível. Lembrando que diversos países já liberaram a vacinação. Nos Estados Unidos foram mais de 7 milhões de doses aplicadas sem nenhum efeito colateral grave”, concluiu, considerando, ainda, a circulação comunitária da variante Ômicron como agravante. 

“Com as férias e volta das escolas, há um risco de ter um surto importante da variante nas crianças. É uma cena muito triste a gente ver um médico na posição dele jogar contra a saúde pública. Em um país sério, ele seria demitido”. 

Decisão

No último dia 18, Marcelo Queiroga, afirmou que a decisão do governo sobre a vacinação de crianças seria tomada em 5 de janeiro, após audiência e consulta pública. Em conversa com jornalistas, Queiroga disse que a autorização da Anvisa não é decisão suficiente para viabilizar a vacinação para o grupo.

Nesta sexta, uma carta divulgada pelo Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) informou que as secretarias de Saúde não devem exigir receita médica para vacinar crianças.

O Hoje em Dia entrou em contato com o Ministério da Saúde para saber se a pasta irá se posicionar sobre as críticas e carta do Conass, mas ainda não obteve retorno.

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