A Fundação Hemominas passará a usar o método intitulado Técnica de Inativação de Patógenos (TRP) para limpar o sangue e evitar que micro-organismos perigosos sejam transmitidos durante as transfusões.

A técnica, que já é usada em países como Suíça, França e Bélgica, foi revelada pelo secretário de Estado de Saúde (SES-MG), Fábio Baccheretti, e pela presidente da Hemominas, Júnia Cioffi, nesta quinta-feira (23).

Como funciona
A TRP atua basicamente modificando o DNA dos micróbios, como vírus, bactérias e parasitas, que poderiam estar presentes no sangue ou nos componentes (como as plaquetas) durante as transfusões.

De acordo com a SES-MG, o procedimento faz com que os micro-organismos deixem de se replicar, tornando o componente sanguíneo um produto seguro em relação ao risco de transmissão de doenças infecciosas.

O método é eficaz inclusive contra os causadores da Covid-19, dengue, zika, chikungunya, malária e febre amarela.

A bióloga Gabriela Rezende, da gerência de Controle de Qualidade da Hemominas, diz que a TRP é uma das técnicas mais modernas do mundo em inativação de agentes patogênicos. "Sem contar que vai ajudar a fundação a manter estoques e a melhorar a capacidade de atendimento. Com maior vida útil, teremos mais sangue para oferecer à população", comenta a especialista.

Solução para a janela imunológica
Mesmo que os testes de laboratório sejam muito eficazes na detecção de micróbios, ainda não se conseguiu eliminar a chamada janela imunológica, que é o período entre a contaminação do indivíduo e o aparecimento da infecção nos exames laboratoriais.

"A inativação dos patógenos surge como solução, por ser uma resposta proativa às ameaças infecciosas, combatendo mesmo aquelas emergentes e desconhecidas e aquelas para as quais não existem testes laboratoriais na triagem do sangue doado", afirma Gabriela Rezende.

Segundo a secretaria de Saúde, a Técnica de Inativação de Patógenos é importante especialmente para a transfusão de plaquetas, porque esse componente do sangue pode conter bactérias perigosas e até fatais, que representam um risco aumentado para pacientes imunossuprimidos (com sistema imunológico deficiente).

O método que passa a ser usado na Hemoninas de forma inédita no Brasil foi aprovado em toda a Europa em 2002, nos Estados Unidos em 2014, e no Canadá em 2018.

(*) Com Agência Minas

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