O anúncio do fim da greve dos motoristas de ônibus em Belo Horizonte nesta sexta-feira (3) pode ter dado esperanças a alguns moradores de que o serviço estaria restabelecido até o fim do dia. O observado nas ruas e pontos da capital, no entanto, é um cenário bastante diferente. O Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário de Belo Horizonte (STTRBH) afirma que o funcionamento só será normalizado a partir deste sábado (4).

A volta pra casa segue complicada. De acordo com a BHTrans, até às 18h desta sexta-feira, o número de viagens realizadas ficou abaixo do normal para o período. Apenas 32,1% das viagens previstas para o dia haviam sido realizadas e, entre 17h e 18h, só 46% dos veículos circulavam na capital.

Assim como ocorrido durante os últimos dias da greve, a estação do Barreiro apresenta o menor número de ônibus circulando, com apenas 12% das viagens previstas acontecendo entre 17h e 18h desta sexta (3). As estações Diamante e José Cândido também apresentam baixo movimento no período, com 19% e 25% dos veículos circulando, respectivamente.

 
 

 

Segundo o presidente do STTRBH, Paulo César Salomão, a normalização do serviço deve ocorrer apnas neste sábado (4). Ele explica que, apesar do acordo que determinou a suspensão do movimento grevista, o contato com os motoristas não é instantâneo, o que dificulta o retorno imediato da prestação do serviço.

O presidente do STTRBH estima que entre 75% e 80% dos trabalhadores já foram notificados sobre o fim da greve.

As dificuldades vividas nesta sexta (3) não são desconhecidas dos usuários de transporte público em BH. Quando a greve foi suspensa pela primeira vez, no dia 23 de novembro, o retorno dos ônibus foi lento e a situação só se normalizou no dia seguinte.

Na ocasião, o último balanço divulgado pela BHTrans mostrava que, até as 19h, apenas 34,8% das viagens previstas para o dia haviam sido cumpridas, situação parecida com a desta sexta (3).

 
 

Em ambas as situações, mesmo depois de interrompida a greve, a circulação dos ônibus em Belo Horizonte jamais chegou aos 60% determinados pela Justiça. Em liminar expedida no dia 19 de novembro, o desembargador Fernando Luiz Gonçalves Rios Neto, 1º Vice-Presidente do TRT da 3ª Região, determinou o número mínimo de 60% para a circulação da frota da capital durante a paralisação.

O descumprimento da liminar acarretaria em multa de R$ 50 mil por dia de desobediência. O valor, no entanto, não foi cobrado do STTRBH. De acordo com o TRT, os pedidos de aplicação da punição estão sendo analisados.

 

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