Belo Horizonte viveu mais uma manhã caótica nesta quinta-feira (2), devido à retomada da greve dos motoristas do transporte coletivo, deflagrada à 0h. Pontos lotados, ameaças de apedrejamento e trânsito travado marcaram o início de um dia que está longe de acabar.

Nas principais estações da cidade, poucos veículos partiram. O pior cenário foi registrado na estação Barreiro. Segundo a BHTrans, nenhuma viagem foi iniciada entre 6h e 10h. As estações Venda Nova, Pampulha e Diamante também tiveram percentual ínfimo de partidas durante a manhã.

Nos pontos, passageiros se acumulavam esperando o ônibus. Cenas de aglomeração foram registradas em diversos corredores e estações. Na avenida Cristiano Machado, altura do bairro Cidade Nova, região Nordeste de BH, o trânsito começou a ficar carregado antes das 7h. Das mais de 10 linhas disponíveis num ponto de embarque, menos da metade estava disponível en ainda assim, em intervalos maiores que o normal.

Nos corredores do MOVE, a situação é parecida. A única diferença está nas pistas, mais vazias que o normal. Num intervalo de aproximadamente 15 minutos, a reportagem do Hoje em Dia contou três linhas ativas na Cristiano Machado e duas nos corredores do MOVE.

Estação do metrô no Eldorado fica lotada na retomada da greve dos motoristas da capital
Estação do metrô no Eldorado fica lotada na retomada da greve dos motoristas da capital

Trânsito

Sem ônibus nas ruas, quem pode usar carro não pensou duas vezes. O resultado foi um excesso de veículos, que complicou o trânsito nos principais corredores de Belo Horizonte. O trânsito ficou lentou nas avenidas Cristiano Machado, Pedro I, Antônio Carlos, Amazonas, Raja Gabaglia e em vários pontos da Contorno.

Os acessos à capital também ficaram obstruídos com retenções na Via Expressa, assim como nas rodovias BR-040 e MG-10. No Anel Rodoviário, um engavetamento com 12 veículos deixou o trânsito ainda mais caótico pela manhã.

Ameaças 

Durante a madrugada, funcionários de uma garagem de coletivos no bairro Floramar chamaram a Polícia Militar quando foram surpreendidos por seis motociclistas bloqueando a saída, de acordo com o SetraBH, sindicato que representa as empresas do ônibus. Ainda conforme o sindicato, dos 90 carros que deveriam deixar o pátio, apenas 25 conseguiram circular.

Apesar de os manifestantes terem deixado a garagem, um ônibus teve o para-brisa trincado após ter sido alvo de um motociclista na avenida Cristiano Machado. Outro veículo foi vandalizado na altura do BH Shopping e precisou ser recolhido.

Segundo a assessoria do Setra-BH, na garagem da Viação Sidon, na avenida Nélio Cerqueira, no Tirol, região do Barreiro, dos 57 coletivos programados para sair nesta quinta-feira, apenas 17 conseguiram deixar o pátio. 

Estação Diamante fica vazia devido à falta de ônibus durante a greve dos motoristas
Estação Diamante fica vazia devido à falta de ônibus durante a greve dos motoristas

O sindicato patronal diz ainda que grevistas impediram a partida dos carros sob ameaça de depredação. No entanto, não foi registrado nenhum caso de vandalismo. O SetraBH afirma que trabalhadores que chegaram para cumprir o expediente também teriam sido impedidos de iniciar a jornada de trabalho. Os carros que conseguiram partir, deixaram a garagem pela madrugada, antes da chegada dos grevistas, aponta o sindicato.

A greve

Os motoristas de ônibus retomaram a greve que tinha sido suspensa na semana passada. Os trabalhadores reivindicam reajuste salarial, que está congelado há três anos.

Na tarde da última quarta-feira (1), o Sindicato dos Trabalhadores do Transporte Rodoviário de Belo Horizonte (STTR-BH) rejeitou a proposta de reajuste salarial e de benefícios enviada pelo Setra-BH na terça-feira (30).

Segundo o presidente do sindicato dos motoristas, Paulo César Salomão, será respeitada a decisão do Tribunal Regional do Trabalho da 3ª região (TRT-3), que exige frota mínima de 60%. Na última paralisação, no entanto, nos dias 22 e 23 de novembro, o número de ônibus circulando na capital não chegou à quantidade estabelecida pela Justiça.

De acordo com o STTR-BH, foi apresentado um reajuste linear de 9% no salário e um aumento no pagamento adicional de função, que sairia de 10% para 20%. A categoria quer o retorno do pagamento do ticket alimentação durante as férias e intervalo máximo de 30 minutos entre as jornadas, exigências que não foram cumpridas.

Ao longo da quarta-feira, duas assembleias foram realizadas pelos trabalhadores sobre a aceitação da proposta do Setra-BH. Na parte da manhã, 29 votaram contra e 24 em favor. Na tarde, foi rejeitada por unanimidade. A categoria ficará de braços cruzados até que um acordo seja estabelecido.

 

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