Os ônibus estão circulando normalmente em Belo Horizonte nesta quarta-feira (24). A suspensão da greve foi definida em audiência realizada pelo Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região (TRT-3) ontem. Usuários que precisaram se virar para ir e voltar do trabalho no começo da semana estão aliviados com a trégua, mas apoiam o direito de paralisação da categoria.

"Na segunda-feira e ontem foi muito difícil, especialmente na hora da volta para casa", afirmou o músico Heder Araújo, de 39 anos. Ele conta inclusive que fez o possível para não sair, sabendo que não ia encontrar ônibus e não podia pagar pelos preços alterados dos aplicativos de transporte. " Agora, com a volta dos carros, também melhorou um pouco para nós. Mas se a greve voltar, vai ficar tudo complicado de novo", conta.

Mesmo prejudicada, a auxiliar de serviços gerais Rosemar de Souza, de 53 anos, apoiou a paralisação dos motoristas. "Como usuária, precisei andar por uma hora entre meus dois serviços, o que foi complicado. Mas acho que eles têm o direito de parar, já trabalhei como cobradora e conheço a situação de vários amigos que seguem no sistema. Essa volta dos ônibus é muito importante, mas não tiro o direito dos motoristas", explica.

Após negociação, o Sindicato dos Trabalhadores do Transporte Rodoviário de Belo Horizonte e Região paralisou o movimento grevista até sexta-feira, desde que o Sindicato das Empresas de Transporte Público (Setra) entregue uma proposta com informações sobre reajuste salarial e manutenção de cláusulas econômicas, como o vale-alimentação. Caso contrário, os condutores poderão cruzar os braços novamente.

Diante do acerto entre as partes, o sindicato dos motoristas se comprometeu a voltar ao trabalho imediatamente após o término da reunião, realizada na tarde dessa terça-feira. Já no início da noite, o STTR-BH informou que se reuniu com lideranças regionais da categoria para informar sobre as tratativas e solicitar o retorno dos ônibus às ruas da capital.

Segundo o Setra-BH, as empresas foram avisadas desde o fim da audiência para voltarem à normalidade com ampliação no número de viagens para regularizar o quadro. No entanto, pelo pouco tempo hábil para a mobilização, o sindicato patronal entendeu que a normalização total só ocorrerá nesta quarta-feira.

Nesta manhã, todas as estações de integração estão funcionando normalmente, conforme previsto pelo sindicato. Segundo a BHTrans, a circulação do transporte coletivo na capital ontem foi retornando gradualmente. Entre 15h e 16h ainda foi baixa, 36%. O intervalo, no entanto, compreende o momento em que a decisão de suspender a greve foi tomada. Mais tarde, a autarquia atualizou os dados, com 41% das viagens programadas para a faixa das 18h às 19h sendo realizadas.

Na última sexta-feira, o desembargador Fernando Luiz Gonçalves Rios Neto, 1º vice-presidente do TRT da 3ª Região, expediu uma liminar que determinava que ao menos 60% da frota estivesse em circulação na capital, mas em nenhum momento o percentual de veículos rodando chegou ao determinado.

O não cumprimento da decisão acarretaria em multa de R$ 50 mil por dia de desobediência, mas, segundo o TRT, nenhuma punição foi aplicada. Ainda conforme o tribunal, não há audiência designada para sexta-feira.

Negociação

A audiência aconteceu após impasse na sessão anterior, ocorrida na segunda-feira. Durante as negociações, representantes do Setra sugeriram ao desembargador que alterasse a liminar para uma decisão que exigisse 100% dos ônibus nas ruas em horário de pico.

O sindicato patronal usou a incapacidade do STTR-BH de gerir os trabalhadores durante a greve como justificativa. Em resposta, o presidente, Paulo César da Silva, afirmou que a ausência de propostas das empresas impede o controle do movimento. “Não tenho poder para isso, sou representante, não sou a categoria toda. Estou com 8 mil trabalhadores mobilizados. Eu estou sem rumo, sinceramente”.

As negociações avançaram com entraves e discussões entre as partes. Representantes dos condutores consideraram a proposta de reajuste zero apresentada pelo Setra em reuniões anteriores uma “indecência”. As partes divergiram em relação à data para a apresentação de uma proposta de reajuste por parte do sindicato patronal, que condicionou as possibilidades de acordo à suspensão da greve.

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