Com os motoristas de ônibus em greve desde a meia-noite desta segunda-feira (22), Belo Horizonte já sente os reflexos da paralisação. Com pontos de ônibus lotados e sem carros circulando, a população tem buscado alternativas de última hora como táxi e carros por aplicativos

No entanto, com a demanda elevada, os preços das tarifas subiram consideravelmente na manhã desta segunda-feira. Desde o início do dia, quem optou pelo transporte por aplicativo precisa amargar valores mais salgados.

Para se ter uma idéia, uma corrida da estação da Pampulha até o Praça Sete, por volta das 8h, que geralmente custa cerca de R$ 25, custaria aproximadamente R$ 37 dependendo da modalidade, pelo Uber. Pelo aplicativo 99, a corrida na modalidade Pop, que também custaria algo em torno de R$ 25, estava cotada em R$ 31,40, enquanto na opção 99Comfort subia para 37,80 e no modo 99Táxi, o valor aproximado era de R$ 35,60

Já uma corrida partindo da Estação Diamante, com o mesmo destino, que geralmente custa entre R$ 25 e R$ 32, estava cotada em cerca de R$ 79 na modalidade Uber X. Pelo aplicativo 99, os valores variavam de R$ 81,50, na modalidade Pop, e R$ 98,10, na opção 99 Comfort. 

Apesar dos altos valores, muitos usuários dos serviços de aplicativos aceitaram pagar mais caro, mas reclamam que não conseguiram confirmar a viagem. Eles alegam que os motoristas cancelaram os pedidos.

A greve

Os trabalhadores do transporte público reivindicam reajuste salarial que está congelado há três anos. Segundo o Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários de Belo Horizonte (STTRBH), muitos profissionais estão passando dificuldades e afirmam que não dá mais para se sustentarem sem um reajuste. 

"Tem trabalhador que não sabe, inclusive, se conseguirá comer até o final do mês. Fizemos a nossa parte por três anos e, agora, queremos o que é de direito”, aponta o presidente do sindicato, Paulo César da Silva.

“Entre os anos 2000 e 2007, eram transportados em média 440 milhões de passageiros por ano, já em 2008 esse número caiu para 430 milhões, em 2019 foram 350 milhões de passageiros e, em 2020, descemos ainda mais chegando a 192 milhões de passageiros. As contas não fecham", informou o presidente do SetraBH, Raul Lycurgo Leite.

Já o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belo Horizonte (SetraBH) explica que o setor passa por dificuldades, com redução do número de passageiros. 

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