O homem suspeito de esfaquear quatro pessoas dentro de um ônibus da linha 6120 (Ribeirão das Neves/ Venda Nova/ Ceasa) em Contagem, na Grande BH, nesta sexta-feira (12), apresentava uma fala desconexa, segundo a Polícia Militar, e disse que estava sendo perseguido e que teria sido vítima de racismo. O crime aconteceu no início da tarde, na avenida Wilson Tavares Ribeiro, no bairro Chácaras Reunidas Santa Terezinha.

De acordo com os militares que atenderam a ocorrência, o suspeito estava transtornado, repetia que estava sendo importunado devido a sua raça e que não conseguia dar informações sobre o crime. Ao ser questionado sobre a origem das supostas manifestações racistas o suspeito também não soube dar detalhes. “Ele fala estar sendo perseguido por sua condição racial, mas ele não fala quem, ele fala por pessoas e que, inclusive, a senhora que veio a óbito teria passado informações dele para outras pessoas. Mas, novamente, ele não fala quem ou porquê”.

Durante o ataque, o homem esfaqueou uma mulher de 43 anos e três homens. A enfermeira ia para o trabalho no Hospital Mater Dei, na avenida do Contorno, em Belo Horizonte. Ela foi socorrida por viaturas da Via 040, concessionária que administra o trecho da avenida, mas já chegou sem vida ao Hospital Municipal de Contagem.

Em entrevista ao Hoje em Dia, um rapaz de 22 anos que foi atingido nas costas contou que pegou o ônibus por volta de 12h e o agressor já estava no veículo. Cerca de 30 minutos depois do embarque, a mulher foi atacada. “O cara começou a esfaquear a mulher do nada, foi quando eu levantei e saí correndo e ele me atingiu nas costas”, afirma.

Após golpear os passageiros, o suspeito aproveitou que o motorista havia parado e desceu do ônibus. Na tentiva de fuga, ele rendeu um motociclista na avenida Wilson Tavares, que dá acesso à BR-040. "No momento que eu tava parado na placa de pare, eu vi duas pessoas correndo e ele vindo atrás. Quando percebi ele já estava com a faca em cima de mim me mandando descer. Nesse momento que ele montou na moto, eu avistei a viatura e os policiais abordaram ele" - explica o motociclista de 25 anos.

O suspeito, o motorista do coletivo, o dono da moto e outras testemunhas foram encaminhados para a 39ª Cia. de Polícia Militar, localizada no bairro Pedra Azul, onde estão sendo ouvidos. Até o momento, segundo a PM, o suspeito não passou por nenhuma avaliação psicológica que confirme o "surto".

O ônibus foi levado até o posto de apoio 16 da Via 040, onde as vítimas foram socorridas e encaminhadas para atendimento médico. E, logo depois, o coletivo foi encaminhado para a garagem da empresa de transporte para ser higienizado.

*Com Bernardo Estillac e Clara Mariz

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