Depois de quase 1 ano e 8 meses de pandemia, o comparecimento às salas de aula voltou a ser obrigatório para os mais de 1,5 milhão de alunos matriculados na rede estadual de ensino de Minas Gerais. Desde esta quarta-feira (3), as atividades deixaram de ser facultativas e os estudantes terão de frequentar a escola todos os dias, não havendo mais revezamento. 

Com as mudanças determinadas pelo Estado, o cenário nas instituições de Belo Horizonte foi bem diferente no primeiro dia da retomada, com turmas lotadas, já que não há mais o distanciamento mínimo de 90 cm entre as pessoas no ambiente escolar.

Para o diretor estadual do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação (Sind-UTE/MG), Paulo Henrique Santos Fonseca, a obrigatoriedade foi tomada de forma precipitada. Ele considerou a decisão como “lamentável” e disse que a categoria apoia a continuidade do ensino híbrido.

“Uma exigência abrupta, sem nenhuma transição. Não faz nenhum sentido, sem ter preparo e até mesmo condições de saúde mais apropriadas, exigir o retorno de 100% dos estudantes”, avaliou.

De acordo com o representante dos trabalhadores, as escolas já estão bem mais cheias. “Os professores receberam muito mais estudantes por turma, sem distanciamento adequado. As condições protocolares são piores neste momento, propiciando ainda mais risco aos alunos”.

Apesar de a decisão afetar as escolas estaduais, os colégios municipais e particulares não precisam aderir, já que, de acordo com a Secretaria de Estado de Educação (SEE), a última palavra cabe às prefeituras. Existem, ainda, casos de famílias que, mesmo com a determinação do governo, não vão aderir à mudança, tomada a pouco mais de um mês do fim do ano letivo.

“Já aconteceu de ter só três pessoas na sala, contando comigo. Ontem eram nove, mas muita gente não vai voltar mesmo sendo obrigatório”, disse a estudante Maria Luiza, de 17 anos.

Em Minas, apenas adolescentes com 12 anos ou mais podem receber a vacina contra o coronavírus. Porém, o ciclo vacinal deste grupo ainda não foi concluído. Além disso, dentre 1,5 milhão de alunos da rede, quase 400 mil ainda não se minuizaram por terem 11 anos ou menos.

Cuidados seguem

Segundo o Estado, os alunos do grupo de risco da Covid-19 podem manter o ensino on-line. Além disso, municípios com decretos que impedem o retorno presencial também vão manter o distanciamento: atualmente, são 157 cidades mineiras nesta situação.

Para a infectologista e pediatra Gabriela Araújo Costa, da Sociedade Mineira de Pediatria, é possível um retorno seguro diante do avanço da vacinação em adultos e adolescentes. Para isso, é preciso que os protocolos de segurança sejam mantidos, como uso de máscara e higienização das mãos.

“Baseado nas evidências disponíveis até o momento e dados epidemiológicos, é possível o retorno de forma completa e presencial, exceto em casos em que as crianças tenham alguma doença de gravidade maior que as coloque em risco”, concluiu, considerando que crianças que ainda não foram vacinadas têm baixa chance de contrair a forma grave da doença.

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