Nesta terça (5), deputados membros da CPI da Assembleia Legislativa de Minas investigaram possíveis práticas de ilegalidades da gestão da Cemig em uma parceria bilionária com a multinacional de tecnologia, IBM Brasil. Segundo investigação da CPI, a parceira teria sido realizada sem licitação e pelo prazo inédito de dez anos. A Comissão afirma ainda que, desde 2019, a estatal estaria gerando prejuízos ao interesse público.

Durante a audiência, a Comissão buscou esclarecer fatos envolvendo o “Acordo de Parceria Estratégica, Tecnológica e Operacional”, serviço contratado para reestruturar sistemas, processos e operação dos canais de atendimento da Cemig, com a implantação de um novo modelo, integrando as plataformas da estatal.

Na ocasião os deputados interrogaram o representante da IBM Brasil, Marcelo Flores de Moura, na condição de testemunha. Entretanto, o executivo da IBM não conseguiu justificar o motivo de subcontratação da empresa. De acordo com a ALMG, ele alegou ter se envolvido na parceria entre Cemig e IBM em novembro do ano passado, quando a negociação já estaria alinhada. Ele também alegou ausência de irregularidade, justificando que outras cinco empresas de tecnologia teriam sido consultadas antes da IBM para assumir a parceria, o que, em tese, configuraria uma concorrência, prevista na licitação.

De acordo com ALMG, a “ausência de explicações e respostas evasivas” levaram o presidente da CPI, deputado Cássio Soares (PSD), a advertir o depoente e interromper a reunião “para que o executivo da IBM Brasil pudesse apurar as informações e responder com mais precisão às dúvidas dos deputados”.

Também durante o encontro, o relator da CPI, deputado Sávio Souza Cruz (MDB), criticou a atual presidência da estatal: “Na prática, firmaram uma parceria que vai permitir à Cemig ficar livre dessa chatice chamada licitação, pois basta a Cemig indicar, que a IBM vai contratar”. Uma das linhas de investigação da CPI é o aparelhamento político da empresa por dirigentes do Partido Novo, o mesmo do governador Romeu Zema.

Ao contrário dos colegas, os deputados Zé Reis (Pode) e Zé Guilherme (PP) defenderam a parceria entre IBM Brasil e Cemig. Em resposta ao interrogatório dos parlamentares, o representante da IBM informou que foi economizado cerca de R$ 500 milhões, em virtude da substituição de outros 14 contratos antigos.

Os requerimentos aprovados ao final da reunião solicitam que, no prazo de cinco dias, a direção da Cemig encaminhe à CPI cópias de todos os contratos envolvendo o “Acordo de Parceria Estratégica, Tecnológica e Operacional”, celebrado entre a IBM e a companhia, incluindo notas fiscais e eventuais termos aditivos.

Em nota, a Cemig informou que a "IBM é a parceira estratégica no Projeto Cliente +, que tem como escopo a integração de todos os canais de atendimento em uma única plataforma (omnichannel), com o uso de inteligência artificial e de funcionalidades para um atendimento rápido e fácil para o cliente. Antes dessa parceria, 14 fornecedores prestavam serviços de atendimento ao cliente na Cemig e cuidavam de diferentes canais (call center, Whatsapp, site, agências físicas, totens e etc.), sem que houvesse qualquer integração entre eles".

Ainda conforme a companhia, o "Projeto Cliente + remunera por resolução no atendimento, não por tempo de atendimento. Essa é uma mudança que beneficia os clientes e reduz custos. Na parceria com a IBM, é prevista uma economia de cerca de R$ 500 milhões em 10 anos. O programa estará completamente implantado em breve".

"A Cemig informa ainda que a parceria com a IBM foi precedida de ampla consulta ao mercado, com a realização de dois Procedimentos de Manifestação de Interesse (PMIs) e a opção pela celebração da parceria com o uso da oportunidade de negócio (inovação trazida pela Lei das Estatais), com a seleção final validada por um comitê técnico composto por funcionários das principais áreas da companhia e com aprovação unânime da Diretoria Executiva e do Conselho de Administração", completou a empresa.

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