O relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos “fura-filas”, que ocorre na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), recomendou ao Ministério Público o indiciamento, por peculato e improbidade administrativa, do ex-secretário de Saúde, Carlos Eduardo Amaral, ex-secretário adjunto, Luiz Marcelo Tavares, ex-chefe de gabinete João Pinho, e da subsecretária de Vigilância em Saúde, Janaína Passos. O documento foi apresentado pelo relator da CPI, deputado Cássio Soares, na manhã desta quinta-feira (8), e será votado em reunião marcada para às 16h.

Antes da apresentação do relatório, o parlamentar afirmou que a comissão não procurou “meramente culpados”, mas buscou reestabelecer a ordem que, segundo ele, foi “desrespeitada no momento flagrante em que o ex-secretário de estado anuncia a própria vacinação quanto a dos membros do nível central as SES”, avaliou.

O relator disse, ainda, estar convicto de que o inquérito estadual impôs às secretarias municipais de Saúde maior rigor no cumprimento da ordem de vacinação, e que foram inúmeras as denúncias de fura-filas vindas do interior.

A CPI foi criada pela ALMG em março deste ano para apurar possíveis falhas na vacinação de grupos não prioritários, além do investimento na ampliação de leitos para o enfrentamento da pandemia e a não aplicação do mínimo constitucional em serviços públicos de saúde.

A comissão foi instaurada depois dos parlamentares cobrarem explicações do então secretário de Estado de Saúde, Carlos Eduardo Amaral, sobre a vacinação de servidores administrativos da pasta, que estariam fora das prioridades do Plano Nacional de Imunização (PNI). Pela gravidade das acusações, Amaral foi substituído por Fábio Baccheretti ainda em março. 

Em nota, o governo de Minas informou que ainda não teve conhecimento oficial do documento e que segue à disposição para auxiliar nas investigações. 

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